PF investiga R$ 119 milhões em emendas atribuídas a Valdemar Costa Neto
A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de direcionamento de R$ 119 milhões em emendas parlamentares, supostamente orquestrado por Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Os recursos teriam sido destinados a 17 municípios em quatro estados brasileiros, beneficiando pelo menos seis partidos além do PL.
A prefeitura do Rio de Janeiro, administrada pelo PSD, recebeu R$ 6,6 milhões, conforme apontado pela PF. As investigações sugerem que, mesmo sem mandato, Valdemar Costa Neto indicou emendas para áreas como turismo, saúde e esportes, que foram bloqueadas pelo ministro do STF, Flávio Dino.
Os valores foram distribuídos em emendas apresentadas entre junho de 2024 e dezembro de 2025. A PF aponta crime de peculato, com desvio de recursos para fins alheios ao interesse público.
PL foi o principal beneficiado, seguido pelo PSD
De acordo com o relatório da PF, o PL recebeu R$ 71 milhões em emendas. Suzano (SP) obteve R$ 26,8 milhões, Porto Seguro (BA) R$ 25 milhões, e outras cidades paulistas como Bebedouro, Ubatuba, Mogi das Cruzes e Ilha Solteira também foram contempladas.
O PSD foi o segundo maior beneficiário, com R$ 32,5 milhões em repasses. Deste montante, o Rio de Janeiro recebeu R$ 6,6 milhões, Caraguatatuba (SP) R$ 23 milhões, e outras cidades paulistas e baianas também foram alocadas.
Outros partidos e municípios na mira da investigação
O partido Republicanos recebeu R$ 9,5 milhões, destinados à cidade de Santa Fé do Sul (SP). O PDT teve R$ 4,7 milhões enviados para Morro do Chapéu (BA).
O União Brasil foi beneficiado com R$ 800 mil em duas cidades, Iepê (SP) e Dom Elizeu (PA). O partido Novo recebeu R$ 290 mil para Cafelândia (PR), e o PP teve R$ 220 mil destinados a Presidente Venceslau (SP).
Operação Transparência desvendou o esquema
A investigação, batizada de Operação Transparência, teve como ponto de partida a apreensão do celular de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora de Arthur Lira. Conversas encontradas no aparelho revelaram o envolvimento de Valdemar Costa Neto na indicação das emendas.
A PF aponta um “arranjo decisório paralelo” para ocultar a participação de Valdemar, cujas emendas eram registradas em nome de deputados do PL. A corporação considera que a alocação de outros parlamentares como “solicitantes” agrava o processo de fraude e desvio de recursos.
Fonte: G1
