A ascensão dos “jagunços” na política brasileira
O cenário político do Rio de Janeiro tem sido marcado por um fenômeno preocupante: a crescente influência de figuras ligadas ao crime organizado e à violência, conhecidas como “operadores da morte” ou “jagunços”, em esferas de poder. Essas pessoas, antes restritas às margens da sociedade, agora buscam moldar projetos políticos e disputar cargos eletivos, reconfigurando a governabilidade no estado.
Segundo análise sociológica, essa “contra-revolução dos jagunços”, como definida pelo sociólogo Gabriel Feltran, encontra eco no bolsonarismo. A força violenta que se desvincula da Nova República tem se solidificado com a internacionalização dos mercados ilícitos, especialmente de armas e drogas.
Esses “operadores da morte”, que antes atuavam nas sombras, agora detêm poder de incidência política e desenvolvem projetos próprios, desafiando as estruturas democráticas estabelecidas. A pesquisa aponta para um projeto ambicioso de Flávio Bolsonaro de unificar esses grupos para a construção de um novo pacto de dominação territorial.
O paralelo histórico com o coronelismo
A figura do jagunço remonta ao coronelismo da Primeira República, onde atuavam como executores de ordens de líderes locais. Essa herança autoritária se manifesta atualmente nos domínios armados de contraventores, grupos de extermínio, milícias e traficantes, que constroem carreiras políticas dentro do próprio Estado.
Historicamente, os jagunços ocupavam uma posição hierarquicamente inferior aos mandantes, sem acesso aos “salões nobres” das elites. No entanto, observa-se um recente deslocamento desses indivíduos para o centro do processo democrático, com alguns chegando a cargos de governador, senador e até presidente.
O projeto de Flávio Bolsonaro e o apoio internacional
A análise sugere que o projeto político de Flávio Bolsonaro visa unificar os jagunços para um novo pacto de dominação territorial, contando com o apoio de frações do mercado e dos Estados Unidos. Diferentemente do PT, que buscava adesão política através de cargos e dinheiro, a família Bolsonaro não impõe barreiras ideológicas ou de direitos humanos.
Essa aproximação se manifesta em eventos públicos, como a celebração da vitória de Flávio Bolsonaro e Donald Trump em classificar grupos armados como terroristas, enquanto esses mesmos grupos compõem a base de apoio político. Isso sinaliza um apoio internacional para um novo pacto, com implicações significativas para o país.
A “jaguncização” da política e a violência como regra
O texto descreve um prefeito de uma cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro, com histórico de miliciano e envolvimento em chacinas, palestrando em um MBA de Segurança Pública. A presença de lideranças do Partido Liberal, algumas cassadas por envolvimento com milícias e tráfico, ao lado de figuras como este prefeito, demonstra a consolidação dessa “jaguncização” da política.
Essa integração, antes restrita às sombras, agora é publicizada, com a burguesia sinalizando seu apoio a esses “jogadores” no novo cenário político. O objetivo parece ser a imposição da violência armada nos territórios, sem controle interno, com a destruição de instituições como Direitos Humanos, Justiça e Democracia.
O futuro da dominação territorial
A pesquisa aponta que, em 2026, o projeto político almeja a dominação do Estado por dentro, a produção da exceção como regra e a criação de um cinturão armado onde disputas de grupos locais pautem o funcionamento das instituições em nível nacional. A violência armada, alinhada a esse novo pacto, não terá mais contenção.
Flávio Bolsonaro, com seu sobrenome e apoio de frações da burguesia e do imperialismo, se posiciona como o principal representante desse projeto. A ideia é que os jagunços se tornem os “senhores”, buscando um controle territorial local e a subordinação das instituições a essa nova lógica.
Fonte: Brasil de Fato
