Rio de Janeiro vive apreensão com operações policiais em diferentes frentes
O cenário político do Rio de Janeiro está sob forte tensão com uma série de operações da Polícia Federal, que remetem aos tempos da Lava-Jato. Ex-governador, deputados e secretarias estaduais são alvos de investigações, gerando um clima de apreensão e incerteza, especialmente com o planejamento eleitoral em curso.
A sensação é de que as investigações estão apenas começando, com a expectativa de que novos desdobramentos e desdobramentos aconteçam nas próximas semanas. A fragilidade de pré-candidaturas e a instabilidade política são consequências diretas desse ambiente conflagrado.
As principais frentes de investigação incluem os casos Master, Refit e a Secretaria de Educação durante o governo anterior. As operações têm tirado o sono de políticos e gestores, impactando diretamente o planejamento eleitoral e a governabilidade.
Cláudio Castro é alvo de múltiplas investigações
O ex-governador Cláudio Castro (PL) tem sido o rosto mais visível das operações, sendo alvo de mandados em investigações sobre os casos Master e Refit. No caso Master, a Polícia Federal aponta para um vínculo pessoal estreito entre Castro e o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com aportes bilionários do Rioprevidência.
Além disso, Castro já havia sido condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico no caso Ceperj, o que o tornou inelegível. A situação fragiliza sua pré-candidatura ao Senado e demonstra a complexidade das investigações que afetam o estado.
Alerj em inquietação com prisões e investigações
Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o clima é de inquietação desde a prisão do deputado TH Joias, acusado de ligações com o Comando Vermelho. Como desdobramento, o então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, foi preso sob suspeita de obstrução de justiça.
A prisão de Bacellar, que era cotado para a sucessão de Castro, e a subsequente cassação em outro caso, jogaram um balde de água fria em suas ambições políticas. A queda dele abriu caminho para novas investigações em áreas de sua influência, como a Secretaria de Educação.
Educação e Agricultura na mira da PF
A Secretaria de Educação tem sido alvo de investigações que levaram à prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), por suspeitas de fraudes em compras e contratações. Rangel era um aliado de Bacellar, que soube da prisão de seu ex-chefe de gabinete, Rui Bulhões, enquanto estava detido.
A Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento também está sob escrutínio. O deputado federal Marcelo Queiroz (PP) foi alvo de investigação por supostas irregularidades em contratos de R$ 200 milhões para castração e esterilização de animais, pasta que ele comandava no período.
Apreensão com desdobramentos futuros
O que mais causa apreensão na classe política é o fato de que todas essas investigações parecem estar em seus estágios iniciais. No caso de Cláudio Castro, as ações se limitaram a buscas, mas aliados temem um pedido de prisão.
A expectativa é de que casos como o da Refit, com ramificações no poder público, e o Master, com potencial para evidenciar vínculos com grupos políticos específicos como o União Brasil, gerem novos desdobramentos, envolvendo mais atores e confirmando o envolvimento de figuras já citadas.
Fonte: G1
