PF intensifica operações e abala cenário político do Rio de Janeiro
Uma série de operações da Polícia Federal no Rio de Janeiro tem gerado instabilidade no cenário político, com investigações envolvendo políticos, empresários e agentes públicos. As ações, que incluem prisões, buscas e apreensões, atingiram figuras influentes na política fluminense, aumentando a apreensão às vésperas das eleições de 2026.
Entre os nomes em destaque estão o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, o deputado estadual Thiago Rangel e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Embora os casos apresentem particularidades jurídicas, todos enfrentam agora consequências políticas significativas devido ao avanço das apurações.
O impacto dessas operações já se reflete nas articulações partidárias. Pré-candidaturas antes consideradas consolidadas estão sendo reavaliadas, enquanto dirigentes analisam os possíveis efeitos das investigações sobre chapas proporcionais, alianças regionais e campanhas para cargos no Senado, Câmara dos Deputados e a própria Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Márcio Canella enfrenta desgaste eleitoral após prisão e medidas cautelares
Márcio Canella foi preso em flagrante em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. A PF apreendeu grande quantidade de dinheiro, armas e equipamentos eletrônicos.
Apesar de ter a prisão substituída por medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Canella enfrenta um forte desgaste político. Sua pré-candidatura ao Senado está sendo considerada para retirada por setores da Federação União Progressista.
A decisão judicial não impede automaticamente uma candidatura, pois a suspensão de direitos políticos geralmente requer condenação criminal transitada em julgado. Contudo, o impacto político pode levá-lo a considerar candidaturas para a Câmara dos Deputados ou a Alerj, embora nenhuma desistência oficial tenha sido anunciada.
Thiago Rangel e Rodrigo Bacellar seguem sob investigação
O deputado estadual Thiago Rangel foi preso em maio, na quarta fase da Operação Unha e Carne, que investiga fraudes em licitações na Secretaria de Estado de Educação. Sua defesa nega as irregularidades.
Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, também permanece preso. Uma nova ordem de prisão preventiva, em julho, aprofundou as investigações sobre possíveis conexões entre agentes políticos, contraventores e esquemas de lavagem de dinheiro. Bacellar é suspeito de vazar informações sobre operações policiais para o Comando Vermelho.
A defesa de Bacellar nega as acusações e sua transferência para uma unidade federal de segurança máxima aumentou especulações sobre colaboração premiada, sem confirmação oficial.
Partidos calculam prejuízos eleitorais com as investigações
As operações da PF ultrapassam a esfera individual dos investigados, afetando partidos como União Brasil, PL e Avante. Eventuais denúncias ou novas medidas judiciais podem alterar candidaturas, alianças e estratégias eleitorais para 2026.
No cenário proporcional, o enfraquecimento de nomes conhecidos pode reduzir o potencial eleitoral das chapas, forçando os partidos a buscar novos candidatos competitivos. A incerteza prevalece, com cada nova etapa da Operação Unha e Carne mantendo partidos e parlamentares sob pressão.
Até a conclusão dos inquéritos, as investigações continuarão a influenciar diretamente a montagem das chapas e as decisões políticas para as eleições de outubro de 2026. Os investigados citados têm direito à ampla defesa, contraditório e presunção de inocência, e suas responsabilidades serão definidas após o avanço das investigações e julgamento dos processos.
Fonte: Agência Fonte Exclusiva
