Douglas Ruas (PL) apoia ação militar dos EUA em águas brasileiras contra traficantes
Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e pré-candidato do PL ao governo do estado, declarou em entrevista à BBC News que apoia bombardeios dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas e armas “no mar aberto”. A proposta visa impedir que carregamentos ilegais cheguem ao território brasileiro.
A declaração ecoa um pedido anterior do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo de Donald Trump. Ruas foi questionado sobre a fala de Bolsonaro, que havia convidado Pete Hegseth, ex-secretário de Guerra de Trump, a “passar alguns meses aqui nos ajudando”. A resposta de Ruas foi explícita: “Defendo medidas efetivas para impedir que essas armas e essas drogas cheguem ao nosso território.”
O pré-candidato justificou sua posição com a necessidade de cooperação internacional para o “enfrentamento do crime organizado”, citando a origem estrangeira de fuzis apreendidos no Rio e a produção de drogas fora do país. Ruas também criticou o presidente Lula por não classificar facções criminosas como terroristas.
Flávio Bolsonaro já havia sugerido intervenção americana
Em 2023, Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais um pedido em inglês a Pete Hegseth para bombardear “barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara”. O senador comentou uma publicação de Hegseth sobre bombardeios americanos a embarcações em águas internacionais, expressando “Que inveja” e convidando-o a “ajudar a combater essas organizações terroristas”.
Essa linha de ação, que sugere a subordinação da segurança pública brasileira a agendas de Washington como plataforma eleitoral, é vista como uma estratégia política do bolsonarismo, que aposta na classificação de facções como “terroristas” para legitimar a intervenção externa.
Debate sobre soberania e rejeição à intervenção estrangeira
A proposta de Ruas de permitir bombardeios por forças estrangeiras em águas brasileiras levanta sérias questões sobre soberania nacional. Especialistas alertam que a classificação de facções como “organizações terroristas” pelos EUA pode abrir precedentes para operações americanas em território nacional, com difíceis desdobramentos diplomáticos e jurídicos.
Pesquisas de opinião indicam que, embora a maioria dos brasileiros apoie o rótulo de “terroristas” para facções criminosas, há uma forte rejeição à atuação de forças americanas em território brasileiro sem autorização do governo do Brasil. Um levantamento do Datafolha mostrou que 74% da população se opõe a essa possibilidade, indicando que o desejo por segurança não se traduz em aceitação de intervenção estrangeira.
Fonte: G1
