Castro se defende de acusações em investigação sobre aportes bilionários no Banco Master
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, negou veementemente a existência de qualquer “relação pessoal indevida” com Daniel Vorcaro, figura central em uma operação da Polícia Federal (PF) que apura uma movimentação de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência durante sua gestão.
A investigação da PF busca entender a destinação desses valores a produtos financeiros ligados ao Banco Master. Castro, por meio de sua defesa, afirmou que os contatos com Vorcaro se limitaram a agendas oficiais, institucionais e encontros de networking, práticas comuns no exercício da função pública e nas relações com o setor empresarial, sem qualquer ilicitude, favorecimento ou benefício pessoal.
“Cláudio Castro jamais integrou qualquer comitê de investimentos do Rioprevidência, não participava das decisões técnicas da carteira da autarquia e nunca exerceu função operacional relacionada aos investimentos realizados pelo instituto”, declarou a defesa, ressaltando a autonomia técnica dos órgãos responsáveis pelas deliberações.
PF aponta “alinhamento político” e trocas na cúpula do Rioprevidência
A Polícia Federal, no entanto, aponta um suposto “alinhamento político” entre Castro e Vorcaro, além de uma série de eventos e indícios que sugerem uma atuação do ex-mandatário para viabilizar os aportes bilionários. Entre os pontos levantados estão a troca da cúpula do Rioprevidência pouco antes dos investimentos e a nomeação estratégica de nomes para cargos-chave, visando direcionar as decisões de investimento em conformidade com os interesses do Banco Master.
Castro afirma que determinou apuração imediata de questionamentos
A defesa de Cláudio Castro alega que, assim que surgiram questionamentos sobre as operações envolvendo o Banco Master, o ex-governador determinou a adoção imediata de medidas de apuração e controle. Isso incluiu o afastamento da presidência do Rioprevidência e a instauração de um procedimento interno pela Controladoria-Geral do Estado.
A PF cita ainda eventos e encontros custeados ou organizados por Vorcaro em um “contexto de proximidade pessoal” com Castro, além de outras irregularidades, como a supressão de etapas técnicas e a ausência de justificativas formais para os investimentos. A defesa refuta a alegação de que viagens ou despesas pessoais do ex-governador tenham sido custeadas por Vorcaro.
Investigação detalha aportes e irregularidades no Rioprevidência
A investigação, desdobramento da Operação Compliance Zero, aponta que os aportes bilionários em Letras Financeiras e fundos de investimento do Master ocorreram em desconformidade com a política de investimentos e exigências regulatórias. A PF identificou “alterações deliberadas nos procedimentos internos, credenciamentos meramente formais, ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas”.
Os aportes iniciais no Banco Master totalizaram R$ 970 milhões em Letras Financeiras, entre outubro de 2023 e julho de 2024. Posteriormente, em razão de “entraves regulatórios”, a autarquia realizou aportes em fundos estruturados pelo grupo de Vorcaro, alcançando R$ 2,01 bilhões entre dezembro de 2024 e outubro de 2025. A PF sustenta que as operações ocorreram em um contexto de crescente dificuldade de liquidez do banco.
A defesa de Castro informou que, em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de um fundo administrado pelo Banco Master, garantindo a proteção do patrimônio previdenciário. As compras de Letras Financeiras foram encerradas em 2024, sem novos aportes após determinação do TCE-RJ. Fundos como o Arena e o Revolution foram resgatados integralmente em 2025 e 2026, respectivamente, sem prejuízos ao Rioprevidência. Todos os recursos investidos foram ressarcidos ao caixa do Estado.
Fonte: G1
