Cordão do Boitatá: 30 anos de história e luta por espaço entre megablocos no Carnaval do Rio

Cordão do Boitatá: 30 anos de história e luta por espaço entre megablocos no Carnaval do Rio

Do Largo de São Francisco de Paula ao Circuito Preta Gil: A trajetória do Cordão do Boitatá Fundado em 1996 com a proposta de resgatar as marchinhas e a essência do carnaval de rua, o Cordão do Boitatá completa 30 anos de folia. O grupo, que se inspirou em festas populares e deu seus primeiros […]

Resumo

Do Largo de São Francisco de Paula ao Circuito Preta Gil: A trajetória do Cordão do Boitatá

Fundado em 1996 com a proposta de resgatar as marchinhas e a essência do carnaval de rua, o Cordão do Boitatá completa 30 anos de folia. O grupo, que se inspirou em festas populares e deu seus primeiros passos no Largo de São Francisco de Paula, se tornou um dos pilares da revitalização do carnaval carioca no Centro da cidade.

O que começou como um pequeno grupo de amigos tocando marchinhas, gênero quase esquecido na época, transformou-se em um movimento que atraiu milhares de pessoas e inspirou a criação de novos blocos. O sucesso do Boitatá impulsionou a expansão do carnaval de rua, que se espalhou por diversas regiões do Rio de Janeiro e se consolidou como uma importante força econômica e cultural.

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Considerado Patrimônio Cultural Imaterial do Rio, o Boitatá agora desfila pela primeira vez na Rua Primeiro de Março, área reservada para os chamados “megablocos” do Circuito Preta Gil. Essa conquista representa não apenas um espaço maior e mais adequado para seus mais de 240 músicos e a multidão de foliões, mas também o reconhecimento do apoio público e da infraestrutura oferecida em circuitos oficiais, algo que o bloco lutou por anos para obter.

Uma batalha por espaço e estrutura

O maestro Kiko Horta, um dos fundadores do Cordão do Boitatá, relembra os desafios enfrentados ao longo de três décadas. “Fomos jogados em ruas que não nos comportam e ficamos muitas vezes sem ajuda”, afirma Horta, destacando a dificuldade em conseguir um trajeto adequado e o apoio logístico necessário para um bloco de grande porte. A luta por ruas fechadas para o trânsito, a ausência de banheiros químicos e a presença de obstáculos como carros estacionados e carrinhos de ambulantes foram constantes.

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Horta relata episódios marcantes, como a vez em que o bloco foi impedido de acessar a Praça Tiradentes por carros que circulavam em via que deveria estar interditada. “Imagina como seria a dispersão de um bloco daquele tamanho numa rua com vários carros passando? Poderia causar acidentes”, comenta, ressaltando a importância da organização e segurança para a realização dos cortejos.

Identidade e relevância cultural

Apesar das dificuldades, o Cordão do Boitatá manteve sua identidade independente e suas raízes na cultura nacional. “Chegamos aqui com muita luta e sem abrir mão da nossa identidade. Somos um bloco independente com raízes na rua e na cultura nacional. Disputamos esse lugar e merecemos estar aqui”, declara Kiko Horta. A chegada ao Circuito Preta Gil é vista como um recomeço no diálogo com o poder público e uma celebração dos 30 anos de história.

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Para a comemoração, o repertório do Boitatá foi enriquecido com homenagens a Preta Gil e Hermeto Pascoal, mesclando joias da música nacional com arranjos próprios. O bloco, que já gerou um impacto financeiro significativo para a cidade, como aponta um estudo da FGV em 2018, reforça seu compromisso com o carnaval como um “senso de comunidade” e sua “grande força” que move o bloco.

Fonte: G1

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