Jairinho admite ter dado 'bandas' em Henry Borel, mas nega agressões e tortura

Jairinho admite ter dado ‘bandas’ em Henry Borel, mas nega agressões e tortura

Jairinho admite ter dado ‘bandas’ em Henry Borel, mas nega agressões e tortura Em seu último depoimento no julgamento do caso Henry Borel, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, admitiu pela primeira vez ter dado “bandas” no menino. No entanto, ele negou que tais atos se caracterizassem como agressão ou tortura. O […]

Resumo

Jairinho admite ter dado ‘bandas’ em Henry Borel, mas nega agressões e tortura

Em seu último depoimento no julgamento do caso Henry Borel, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, admitiu pela primeira vez ter dado “bandas” no menino. No entanto, ele negou que tais atos se caracterizassem como agressão ou tortura. O interrogatório, que durou mais de quatro horas, foi marcado por momentos de choro, ataques à credibilidade de testemunhas e críticas à investigação.

Jairinho dirigiu-se diretamente aos jurados, negando veementemente ter agredido Henry. “Eu não fiz isso com o Henry. A Monique [Medeiros] sabe que eu não fiz isso com o Henry, o pai dele [Leniel Borel] sabe que eu não fiz isso com o Henry. Ele mente. Sabe que eu não fiz nada com o filho dele”, declarou, referindo-se ao episódio de 12 de fevereiro de 2021, apontado pela acusação como uma das datas de agressões.

O depoimento de Jairinho ocorreu horas após Monique Medeiros, mãe do menino e também ré no processo, afirmar que acredita que o ex-namorado matou seu filho. Ela também declarou que, se soubesse das agressões, estaria sendo julgada pela morte de Jairinho, e não pela de Henry. Inicialmente, Jairinho evitou falar sobre Henry e dedicou boa parte de seu tempo a reconstruir sua trajetória pessoal, familiar e política.

Emocionado, Jairinho fala sobre família e prisão

Durante o interrogatório, Jairinho demonstrou forte emoção ao falar sobre sua família, citando a mãe como sua maior identificação e a irmã como sua “melhor amiga”. Ele também relembrou problemas de saúde enfrentados pelo pai. Em um momento particularmente tocante, ao exibir imagens com o sobrinho, afirmou com lágrimas nos olhos: “Eu adoro criança”.

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O ex-vereador também comentou os mais de cinco anos de prisão preventiva, descrevendo o processo como desgastante. “Tenho certeza absoluta que foram demorados. Não à toa vocês passaram todo esse tempo aqui. A cada dia vejo provas que mudam completamente o que está acontecendo”, disse, sugerindo que novas evidências poderiam mudar o curso do julgamento.

Jairinho ataca testemunhas e nega agressões a mulheres

Uma parte significativa do depoimento foi dedicada a descredibilizar testemunhos de ex-companheiras e outras testemunhas ouvidas durante o julgamento. Jairinho negou ter agredido mulheres e crianças, afirmando que não existem provas concretas, como mensagens ou registros, que sustentem os relatos apresentados por ex-namoradas.

“Não há da parte da Débora [Mello Saraiva], Natasha [de Oliveira Machado], Monique ou qualquer outra mulher mensagens que mostrem que eu tenha agredido alguém”, declarou. Ele também acusou o pai de Henry, Leniel Borel, de influenciar testemunhas contra ele, sugerindo que depoimentos teriam surgido após contatos feitos por pessoas ligadas à acusação. Jairinho chegou a mencionar que Natasha e familiares participaram ativamente de sua campanha eleitoral em 2020, mantendo uma boa relação por anos.

Admite traições, mas nega violência física

Em relação à vida pessoal, Jairinho admitiu ter mantido relacionamentos extraconjugais e reconheceu ter traído diferentes companheiras. “Coisas que eu fiz de errado foram as traições com mulheres. Foi um caminho errado a se tomar”, afirmou. Ele confirmou ter traído a ex-mulher, Ana Carolina, com Débora, classificando a separação como um de seus maiores arrependimentos. “Um dos grandes arrependimentos da minha vida foi não ter permanecido casado com Ana Carolina.”

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Ao comentar um boletim de ocorrência registrado pela ex-mulher, Jairinho negou agressão física, alegando ter apenas segurado Ana Carolina durante uma discussão.

Jairinho admite ‘bandas’ em Henry, mas não no dia da morte

Um dos pontos centrais do depoimento foi a admissão de que deu “bandas” – uma espécie de rasteira ou derrubada – em Henry Borel em ocasiões anteriores. Contudo, ele negou que tal ato tenha ocorrido no dia 12 de fevereiro de 2021, data crucial para a acusação. “Não dei banda no dia 12 de fevereiro. Tinha dado antes”, alegou.

Segundo Jairinho, naquele dia, ele ficou sozinho com Henry por poucos minutos enquanto Monique estava no salão de beleza. A acusação, baseada principalmente no relato da babá Thaynã Oliveira Ferreira e em mensagens trocadas na época, sustenta que a criança saiu do quarto abatida e mancando após ficar sozinha com o padrasto. A defesa exibiu o vídeo gravado pela babá, questionando a interpretação dos fatos. “Tudo por conta de prints do telefone da babá. Quando eu leio aquilo, vejo uma percepção abstrata dela sobre o que acha que aconteceu. Quando o Henry sai do quarto, ele não está chorando”, argumentou.

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Críticas à investigação e apelo aos jurados

Jairinho criticou a condução das investigações, alegando que provas relevantes foram ignoradas e outras linhas investigativas não foram aprofundadas. Ele mencionou um acidente de carro envolvendo Leniel e Henry poucos dias antes da morte do menino, sugerindo que as circunstâncias das 72 horas anteriores ao crime não foram devidamente analisadas. “Não tem como aquela laceração ter acontecido naquele apartamento”, declarou, questionando conclusões periciais.

Em um dos momentos mais emotivos, chorou ao falar sobre Henry: “O que eu mais queria no mundo era que ele estivesse aqui. Eu queria que ele voltasse. Eu não aguento mais.” Ele também questionou a relevância dada ao depoimento da babá para a construção da acusação: “A régua para medir o sofrimento do Henry é a Thaynã? A percepção abstrata dela é que vai definir tudo isso?”

Henry Borel morreu em março de 2021, aos 4 anos. Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado e tortura, enquanto Monique responde por omissão. A acusação alega uma sequência de violências físicas, o que a defesa nega. O julgamento segue com os debates entre acusação e defesa, e a decisão dos jurados.

Fonte: G1

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