Especialistas debatem caminhos para a segurança pública no Rio de Janeiro
Especialistas, gestores e representantes da sociedade civil se reuniram na Fundação Getulio Vargas (FGV) para discutir soluções para a crise de segurança pública no Estado do Rio. O ponto central do debate foi a necessidade de enfrentar a corrupção dentro das instituições e de reformular a política de segurança com base em metas, controle e redução da impunidade.
A iniciativa apartidária e sem fins lucrativos do RioAgora.org busca elaborar uma agenda de políticas públicas a ser apresentada a candidatos em diversas esferas. As propostas serão disponibilizadas ao público em uma plataforma online após o último encontro temático, em 13 de julho.
A fragilidade institucional e a corrupção de agentes do Estado foram apontadas como fatores diretamente ligados à crise da segurança. Para Joana Monteiro, professora da FGV Ebape, o problema transcende as organizações criminosas, atingindo diferentes esferas do poder público.
Corrupção institucional como raiz do problema
Joana Monteiro destacou que o maior problema do Rio não é uma organização criminosa específica, mas a corrupção dentro do próprio Estado, envolvendo Executivo, Legislativo e setores do Judiciário. Ela ressaltou que o debate público muitas vezes tratou o Rio como uma exceção, o que dificultou a adoção de soluções já testadas em outras regiões do país.
O alto poder de fogo das organizações criminosas, a diversificação de atividades ilegais e a conivência de agentes públicos foram citados como agravantes do cenário. O controle territorial exercido por grupos armados impacta a economia e restringe direitos básicos, como o de ir e vir.
Impacto desigual da violência e a necessidade de punição
O ativista Itamar Silva, morador da favela do Santa Marta, criticou o discurso político focado no confronto e o impacto desigual da violência. “Quem morre tem um CEP muito específico. Está nas favelas, na Baixada, nas áreas populares”, afirmou. Ele lamentou que a defesa do policial “valente” persista enquanto jovens negros continuam morrendo.
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, enfatizou a importância de aumentar a capacidade do Estado de investigar e punir crimes, especialmente homicídios. Ela defendeu medidas como controle mais rigoroso de armas de fogo e a revisão de políticas de bonificação por apreensões.
“Hoje, nove em cada dez homicídios no Rio ficam sem punição após cinco anos, e apenas 2% resultam em condenação. Não dá para abrir mão de enfrentar esse problema. O mote deve ser: ‘nenhuma morte ficará sem resposta'”, propôs Ricardo.
Vontade política é essencial para a mudança
Melina Risso, diretora de pesquisa do Instituto Igarapé, ressaltou que não existe crime organizado sem conivência do Estado e que é preciso um pacto social para considerar essa situação inaceitável. Robson Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, concluiu o debate destacando a necessidade de vontade política para implementar soluções já conhecidas.
“O Rio já tem diagnóstico. O que falta é vontade política. Temos que entender que Segurança Pública não é privilégio. É direito. E é urgente”, enfatizou Rodrigues. Os próximos encontros do ciclo de debates abordarão Gestão do Estado e Gestão Fiscal.
Fonte: G1
