Testemunha relata falas de Henry e discussões entre Monique e Jairinho em salão de beleza
A cabeleireira Teresa Cristina dos Santos prestou depoimento no quarto dia do julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho, no Tribunal de Justiça do Rio. Ela relatou conversas ouvidas em um salão de beleza, pouco mais de um mês antes da morte do menino Henry Borel, em março de 2021.
As declarações de Teresa trouxeram à tona frases atribuídas ao menino Henry, que chocaram os presentes no plenário. A testemunha afirmou ter ouvido Henry dizer: “O tio disse que eu atrapalho.” Em outro momento, o menino teria chamado pela mãe, dizendo: “Mamãe, vem pra casa.”
Durante o atendimento de Monique, que durou mais de duas horas, a cabeleireira também relatou ter ouvido parte de ligações entre Monique e Dr. Jairinho. Segundo Teresa, Jairinho teria falado sobre demitir a babá de Henry, mas Monique teria se oposto, argumentando que a funcionária cuidava bem do filho.
Tensão e ameaças no salão
A testemunha também descreveu uma discussão entre o casal. Teresa afirmou ter ouvido Monique comentar que Jairinho disse que iria “quebrar tudo”. A resposta de Monique, de acordo com a cabeleireira, foi que ele “já estava acostumado a fazer isso”.
O depoimento ainda revelou que Henry reclamava de dores e dizia que o “tio” lhe dera “uma banda”, expressão popular para rasteira ou empurrão. Monique, na época, aparentava estar estressada e preocupada, e mencionou a intenção de comprar câmeras de segurança para a casa.
Defesa de Jairinho questiona depoimento
A defesa de Jairinho tentou descreditar o depoimento de Teresa, exibindo imagens do circuito interno do salão para questionar a dinâmica e a clareza com que a testemunha teria ouvido os diálogos. Apesar da pressão, Teresa manteve os pontos centrais de sua narrativa.
O julgamento, que começou em 25 de julho, já ouviu familiares, profissionais e ex-funcionários. Outras testemunhas relataram episódios de agressões envolvendo o ex-vereador. Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado e tortura, enquanto Monique responde por homicídio por omissão e descumprimento do dever de proteção. Ambos negam as acusações.
Fonte: G1
