Jorge Drexler se junta a Moacyr Luz no Rio
O renomado músico uruguaio Jorge Drexler marcou presença em uma das mais tradicionais rodas de samba do Rio de Janeiro, o Samba do Trabalhador. O evento, comandado por Moacyr Luz, aconteceu no Clube Renascença, na Zona Norte da cidade, na última segunda-feira (6).
Drexler, que está no Brasil para passar a Semana Santa, aproveitou a ocasião para compartilhar sua paixão pela música brasileira. Ele interpretou sua versão em espanhol da icônica canção “O que é o Que é”, de Gonzaguinha, além de cantar “Desde que o Samba é Samba”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
A participação do uruguaio foi um momento especial para os presentes, que puderam testemunhar a fusão cultural promovida pelo artista. Moacyr Luz fez questão de ressaltar a importância de Gonzaguinha, lembrando que o compositor viveu na Tijuca, bairro que abriga o Clube Renascença.
A Versão de Drexler para “O que é o Que é”
A adaptação de Jorge Drexler para “O que é o Que é”, intitulada “¿Qué será que es?”, integra seu mais recente álbum, “Taracá”, lançado em março. Em recente entrevista, o artista de 61 anos explicou a motivação por trás da escolha:
“Esta música sempre me chamava a atenção nas rodas de samba, quando tocava no Brasil, e era um momento de elevação espiritual. Tem uma série de questões ontológicas e filosóficas sobre o ser e sobre a vida, que ampliam o escopo do gênero musical. É o tipo de reflexão que se encontra mais em livros do que em canções”, detalhou.
Drexler também elogiou a estrutura da composição de Gonzaguinha, destacando como ela transita por diferentes estados emocionais e filosóficos. “Adoro a estrutura dela: começa com um refrão grandioso, com toda a sua glória, passa por várias partes menores, atravessa estágios de dor e perplexidade, terminando de volta naquela parte maior, a celebração”, comentou.
Um Ato de Amor e Respeito Cultural
O músico uruguaio enfatizou que sua adaptação foi feita com “o maior amor” e “o maior respeito” pela obra original. Sua intenção é apresentar a canção a um novo público na América Latina, incorporando elementos do candombe, ritmo uruguaio.
“Quis uma homenagem responsável, com referências ao samba, mas fazendo uma adaptação própria, como os brasileiros fazem. Quando João Gilberto pega uma canção de Cole Porter, ele não a canta no ritmo original, a leva para seu próprio terreno. Esse é o ato de amor mais sincero”, explicou Drexler, comparando sua abordagem à de grandes nomes da música brasileira.
Fonte: O Globo
