SuperVia se despede: Última viagem dos trens do Rio após 27 anos marca fim de era com problemas crônicos

SuperVia se despede: Última viagem dos trens do Rio após 27 anos marca fim de era com problemas crônicos

Fim de uma era: SuperVia encerra operação de trens no Rio com herança de problemas Após 27 anos e seis meses operando o sistema de trens que conecta a cidade do Rio de Janeiro a outros 11 municípios, a SuperVia realiza nesta sexta-feira (21) a sua última viagem. A composição que partirá da Central do […]

Resumo

Fim de uma era: SuperVia encerra operação de trens no Rio com herança de problemas

Após 27 anos e seis meses operando o sistema de trens que conecta a cidade do Rio de Janeiro a outros 11 municípios, a SuperVia realiza nesta sexta-feira (21) a sua última viagem. A composição que partirá da Central do Brasil para Japeri às 23h01 marca o encerramento de uma concessão que transporta cerca de 300 mil passageiros diariamente. A partir de sábado (22), a operação será assumida pela TrensRJ, empresa criada pela Nova Via Mobilidade, consórcio vencedor da recente licitação estadual.

Uma reportagem investigativa do O Globo percorreu os cinco ramais da malha ferroviária e identificou uma série de problemas que se agravaram ao longo dos anos. A presença do tráfico em estações, que em 1998 se restringia a locais como a estação Jacarezinho, no ramal Belford Roxo, agora afeta pelo menos 13 estações, muitas delas margeadas por comunidades controladas pelo crime organizado. A segurança pública é um desafio constante, com 26 partidas canceladas ou interrompidas em março de 2026 devido a incidentes relacionados à criminalidade.

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Os trens antigos, apelidados de “caveirões” pelos usuários, fabricados entre as décadas de 1970 e 1980, ainda circulam, causando desconforto e insegurança. Atrasos frequentes, viagens demoradas, escadas rolantes quebradas, falta de limpeza e vandalismo, como pichações e marcas de apedrejamento em vidros, são queixas recorrentes dos passageiros. O ramal Deodoro, antes considerado um dos mais eficientes, sofreu com a redução da frota e aumento dos intervalos, impactando diretamente a rotina dos usuários.

Ramal Deodoro: Do “queridinho” à superlotação e intervalos longos

O ramal Deodoro, que já foi elogiado por composições novas e intervalos curtos, perdeu seu protagonismo. Suspenso durante a pandemia, o ramal retornou em 2024 com uma nova grade de horários, mas a realidade é distante do passado. Atualmente, opera com composições de apenas quatro vagões, em contraste com os oito vagões dos ramais Santa Cruz e Japeri. Os intervalos, que antes eram de 6 minutos, podem chegar a 20 minutos, gerando superlotação, especialmente nos horários de pico.

A frota no ramal Deodoro inclui trens fabricados em 2005, com sistemas de som antigos onde o maquinista anuncia as estações manualmente. A iluminação em alguns vagões é precária devido ao vandalismo. Nas estações, problemas como escadas rolantes inoperantes, como ocorreu no Méier nesta semana, e alagamentos em dias de chuva, em locais como Deodoro, agravam a experiência do usuário.

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Central do Brasil e Ramal Santa Cruz: Caos, atrasos e insegurança

Na Central do Brasil, ponto nevrálgico do sistema, o cenário é de abandono. Lixo, caixas de papelão e pichações tomam conta das plataformas, dificultando a circulação e transmitindo uma sensação de descaso. Os trens sofrem com deterioração, para-brisas marcados por pedras e janelas riscadas. A sinalização de vagões femininos muitas vezes está desatualizada ou danificada.

Larissa Silva, recepcionista de 24 anos, relata a dificuldade em cumprir horários devido aos intervalos irregulares e à superlotação do ramal Santa Cruz. “O trem não dá vazão, demora a sair porque não consegue fechar a porta pela quantidade de gente”, afirma. A volta para casa também é um desafio, com longas esperas e a incerteza sobre qual composição partirá primeiro, gerando “correrias” e desconforto.

Ramal Japeri e Belford Roxo: Viagens mais longas e “caveirões” na linha

Usuários do ramal Japeri reclamam de composições cheias, longas viagens em pé e o fim das partidas extras de Queimados. A viagem de Japeri à Central do Brasil, que antes levava menos tempo, agora dura 97 minutos, 22 a mais do que em 1998. Maria José, diarista de 62 anos, conta que precisa acordar mais cedo para conseguir um lugar no trem.

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No ramal Belford Roxo, trens antigos fabricados entre as décadas de 1970 e 1980, os “caveirões”, ainda são a realidade. Apesar de reformados e com ar-condicionado, são barulhentos e proporcionam uma experiência desconfortável, com assentos que trepidam e impulsionam os passageiros para o alto em determinados momentos. A viagem cruza áreas de comunidades sob influência do tráfico, como a favela da Mangueirinha e o Complexo de Israel.

O ramal Gramacho/Saracuruna também atravessa territórios controlados por facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Embora não tenha havido registro de tiroteios durante a reportagem, a presença do crime organizado nas margens da via férrea é uma constante, adicionando uma camada extra de apreensão à rotina dos passageiros.

Fonte: O Globo

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