Seap alertou sobre risco de líderes de facções na Saidinhas de Natal: 5 foragidos de alta periculosidade
Um relatório de segurança da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro identificou que presos considerados de alta periculosidade, com histórico de liderança no tráfico e atuação em facções criminosas, foram beneficiados com a saída temporária de Natal. O documento, encaminhado às autoridades, acendeu um alerta sobre os riscos envolvidos.
A análise posterior revelou que, dos nove detentos classificados como de alto risco que receberam autorização para a visita familiar, cinco não retornaram ao sistema prisional dentro do prazo, encerrado em 30 de dezembro. Esses indivíduos agora são considerados foragidos da justiça.
No total, 258 presos não retornaram às unidades prisionais após a saidinha de Natal de 2025, sendo a maioria ligada ao Comando Vermelho, facção que concentra mais da metade das evasões registradas. A Seap afirma ter compartilhado previamente as informações sobre presos de alta periculosidade com as agências de inteligência.
Relatório detalhou presos de alta periculosidade beneficiados com a saída temporária
O relatório da Seap listou nove internos classificados como de alta periculosidade que foram autorizados a deixar a prisão temporariamente. Entre eles, destacam-se nomes ligados ao Comando Vermelho, como Marco Aurélio Martine Martelo (Bolado), apontado como chefe do tráfico no Morro do Fallet, e André Luiz de Almeida (Nestor do Tuiuti), chefe do tráfico no Morro do Tuiuti. Outros nomes incluem Sérgio Luiz Rodrigues Ferreira (Problema) e Fábio Lima da Silva (Gordo), ambos ligados ao Comando Vermelho e com histórico no tráfico.
Também constava na lista Tiago Vinícius Vieira (Dourado), ligado ao Terceiro Comando Puro e acusado de atuar no tráfico de drogas e armas. Adriano Rodrigues Moura (Dedo) e Aloisio Barbosa Teixeira (Cavalo), ligados a milícias, também estavam entre os listados. Reginaldo Ferreira Nunes Junior (Junior Bomba), apontado como liderança da milícia de Nova Iguaçu, e Carlos Adilio Maciel Santo, ex-policial militar condenado pela morte da juíza Patrícia Aciolli, completavam a lista.
Cinco líderes do tráfico não retornaram após a saidinha de Natal
Dos nove presos classificados como de alta periculosidade, cinco não retornaram às unidades prisionais após o fim do período de saída temporária. Todos eles possuem ligações com facções do tráfico de drogas e ocupavam posições estratégicas dentro dessas organizações criminosas.
Os foragidos são: Marco Aurélio Martine Martelo (Bolado), André Luiz de Almeida (Nestor do Tuiuti), Sérgio Luiz Rodrigues Ferreira (Problema), Fábio Lima da Silva (Gordo) e Tiago Vinícius Vieira (Dourado). Segundo a Seap, esses detentos foram oficialmente tratados como evadidos e as informações foram repassadas às forças policiais para recaptura.
Quatro presos de alta periculosidade retornaram à prisão
Por outro lado, o relatório da Seap também indicou que quatro presos classificados como de alta periculosidade retornaram normalmente às unidades prisionais, cumprindo as determinações judiciais. Entre os que regressaram estão Reginaldo Ferreira Nunes Junior (Junior Bomba), Adriano Rodrigues Moura (Dedo), Aloisio Barbosa Teixeira (Cavalo) e Carlos Adilio Maciel Santo, o ex-policial militar.
A Seap confirmou que o retorno desses internos foi devidamente registrado e comunicado às autoridades responsáveis pelo acompanhamento do cumprimento das penas. A defesa de Reginaldo Ferreira Nunes Junior, por exemplo, afirmou em nota que ele cumpriu integralmente as determinações judiciais, saindo e retornando dentro dos prazos estabelecidos.
Facções criminosas concentram a maioria das evasões
Os dados gerais sobre as evasões após a saidinha de Natal indicam que o Comando Vermelho é a facção com maior número de foragidos, representando 43,35% do total, com 150 presos que não retornaram. O Terceiro Comando Puro registrou 39 evadidos, a facção Amigos dos Amigos (ADA) teve 23, e 46 presos se declararam neutros. Não houve registro de evasão entre policiais e presos ligados à milícia que foram beneficiados com a saída temporária.
Houve um aumento nos índices de evasão entre facções criminosas em comparação com o ano anterior. O Comando Vermelho passou de 40,33% em 2024 para 47,45% em 2025. A ADA subiu de 21,90% para 29,45%, e o TCP de 11,63% para 15,21%. Em contrapartida, houve queda na evasão entre presos classificados como neutros.
Critérios legais e monitoramento dos benefícios
A saída temporária é um benefício legal previsto para presos do regime semiaberto que cumpriram parte da pena e apresentaram bom comportamento. A Seap reitera que os pedidos são analisados com base em critérios técnicos e jurídicos, com monitoramento reforçado em casos considerados sensíveis. Especialistas em segurança pública defendem a necessidade de alterações legislativas para evitar que presos beneficiados com saídas temporárias fujam.
Fonte: g1
