Força Municipal do Rio: Reuniões Públicas Definirão Estratégias com Base em Dados Criminais
A Prefeitura do Rio de Janeiro iniciará uma série de reuniões públicas, começando na próxima terça-feira, para planejar as ações da Força Municipal. O objetivo é analisar estatísticas criminais e definir a estratégia de atuação dos 600 agentes que compõem essa tropa de elite da Guarda Municipal.
Os agentes da Força Municipal começarão a atuar armados nas ruas a partir de março, com foco inicial em 22 áreas pré-delimitadas que apresentam alto índice de ocorrências de roubos e furtos. Os encontros, abertos à imprensa, visam otimizar o emprego do efetivo, que integra as primeiras turmas formadas com instrução da Polícia Rodoviária Federal.
A iniciativa é inspirada no modelo CompStat de Nova York, pioneiro no uso de dados estatísticos para planejar ações de segurança pública. A prefeitura busca replicar o sucesso da cidade americana na redução da criminalidade, concentrando esforços onde e quando a incidência é maior.
CompStat: Modelo de Nova York para Combate à Criminalidade
O modelo adotado pelo município é inspirado no exemplo de Nova York, que em 1994 foi a primeira cidade americana a usar dados estatísticos para analisar ocorrências criminais e, a partir daí, planejar as ações de segurança. A proposta é que a Força Municipal atue de forma estratégica, com base em dados precisos sobre a criminalidade.
Brenno Carnevale, secretário extraordinário de Segurança Urbana, explicou que a ideia é que os agentes atuem por até 90 dias nas áreas previamente demarcadas. Ele ressaltou a importância da gestão de um sistema de segurança, para que o agente saiba exatamente como atuar na rua, demonstrando que é possível avançar no combate à criminalidade.
Reestruturação da Guarda Municipal e Porte de Arma
Uma reformulação recente na Guarda Municipal foi necessária para que a Polícia Federal concedesse o porte de arma aos agentes. O Estatuto Nacional das Guardas Municipais exige que cargos de chefia sejam preenchidos por funcionários de carreira da instituição. Com a reestruturação, a Guarda Municipal passou a ser coordenada pela Secretaria de Segurança Urbana.
Ontem, a prefeitura divulgou que 97% dos 600 agentes obtiveram grau de excelência em tiro, demonstrando a preparação da tropa para o início das operações. A academia do grupamento, em Irajá, Zona Norte do Rio, foi o local de formação dessas primeiras turmas.
Otimização de Efetivo Inspirada em Nova York
Michael LiPetri, ex-coordenador do CompStat de Nova York, visitou o Centro de Operações da Prefeitura (COR) para conhecer o Civitas, programa de videomonitoramento que dará apoio à Força Municipal. Ele destacou a importância de concentrar efetivos nas faixas horárias e dias com maior incidência criminal, um princípio fundamental para o sucesso na redução das “manchas criminais”.
“Se eu sei que os crimes em determinada área de Nova York se concentram de sexta-feira a domingo, das 18 às 4 horas, eu tenho que ter mais efetivos nessa faixa de horário. No planejamento do patrulhamento, isso implica conceder folgas nos outros dias da semana”, exemplificou LiPetri, reforçando a estratégia que a prefeitura pretende adotar.
Fonte: G1
