PF investiga ocultação de provas em esquema de desvio de verbas de cota parlamentar
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (data da operação) a terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Galho Fraco II. A ação visa aprofundar as investigações sobre a movimentação e destinação de recursos públicos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP).
A corporação cumpre medidas judiciais autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. O objetivo principal é coletar e preservar elementos de prova, diante de indícios de tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode configurar fraude processual.
As fases anteriores da operação miraram o líder do PL na Câmara, Sostenes Cavalcante (RJ), e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), além de seus assessores. As suspeitas recaem sobre a contratação de uma empresa de locação de veículos com verbas da cota parlamentar, com apuração de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa.
Esquema de desvio e lavagem de dinheiro sob investigação
Segundo a PF, as investigações apontam para um possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas. Essas entidades teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos, que teriam sido desviados e, posteriormente, lavados. Os assessores dos parlamentares investigados movimentaram milhões, de acordo com os investigadores.
Relembre as fases anteriores da Operação Rent a Car
A primeira fase, em dezembro de 2024, foi denominada “Rent a Car” e focou em assessores dos deputados Sostenes Cavalcante e Carlos Jordy. A operação investigou o suposto esquema de simulação de contratos de prestação de serviços com uma empresa de locação de veículos, configurando um acordo ilícito para desvio de verbas.
Em dezembro de 2025, a segunda fase, batizada de “Galho Fraco”, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Sostenes Cavalcante e Carlos Jordy. Em um local associado ao líder do PL, foram encontrados R$ 430 mil em dinheiro vivo.
Reações dos parlamentares investigados
Carlos Jordy reagiu às fases anteriores, classificando-as como uma “perseguição implacável” e “pesca probatória”. Ele afirmou que seu papel é contratar o serviço mais eficiente e pelo menor custo, não fiscalizar a estrutura interna da empresa contratada.
Sostenes Cavalcante negou irregularidades no uso da cota parlamentar, alegando que a investigação visava “perseguir a oposição”. Ele declarou que o dinheiro encontrado em seu flat era proveniente da venda de um imóvel.
Gastos com aluguel de veículos em destaque
Um levantamento do O Globo em dezembro de 2024 revelou que os gastos de Sostenes Cavalcante com aluguel de carro naquele ano foram de R$ 137,9 mil, quase o dobro da média de outros parlamentares (R$ 76,8 mil). Já as despesas de Carlos Jordy com aluguel de carros somaram R$ 65,4 mil, abaixo da média geral.
Fonte: O Globo
