Pesquisa: 73% de moradores da Maré, Rocinha e Alemão rejeitam operações policiais, citando excessos e medo

Pesquisa: 73% de moradores da Maré, Rocinha e Alemão rejeitam operações policiais, citando excessos e medo

Moradores de grandes favelas do Rio expressam forte rejeição às operações policiais Uma pesquisa recém-divulgada aponta que a grande maioria dos residentes da Maré, Rocinha, Complexo do Alemão e Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, desaprova as operações policiais em suas comunidades. O estudo ouviu 4.080 pessoas e revelou que 73% discordam das ações […]

Resumo

Moradores de grandes favelas do Rio expressam forte rejeição às operações policiais

Uma pesquisa recém-divulgada aponta que a grande maioria dos residentes da Maré, Rocinha, Complexo do Alemão e Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, desaprova as operações policiais em suas comunidades. O estudo ouviu 4.080 pessoas e revelou que 73% discordam das ações policiais, enquanto 92% desaprovam a forma como elas são conduzidas atualmente, com 68% defendendo que as operações sejam realizadas de maneira diferente e 24% acreditando que elas não deveriam ocorrer.

As conclusões do levantamento, intitulado “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?”, contradizem pesquisas anteriores que, com metodologias distintas, apresentaram aprovação maior para tais operações. Este estudo foi idealizado e conduzido por seis organizações de favela, com o objetivo de trazer o olhar de quem vive diretamente os impactos dessas ações.

Os resultados indicam que 95% dos entrevistados avaliam que as operações policiais não aumentam a segurança de suas famílias, sendo que apenas 4% percebem alguma melhora. Além disso, 93% dos moradores relataram ter vivenciado diretamente operações policiais ou ter familiares afetados por elas, citando restrições de circulação, invasões de domicílio, fechamento de escolas, tiroteios e balas perdidas como impactos comuns.

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Percepção de violência estatal e medo prevalecem entre os moradores

A pesquisa evidencia uma forte percepção de violência estatal durante as operações policiais. 91% dos entrevistados afirmaram que a polícia comete excessos e ilegalidades, uma visão compartilhada inclusive por aqueles que apoiam as ações (85% entre eles). A rejeição à violência é ampla: apenas 3% concordam que a polícia precisa matar em operações, e 54% acreditam que mortes devem ser evitadas, mesmo que possam ocorrer em algumas situações.

O medo da polícia durante as operações é um sentimento predominante, relatado por 78% dos entrevistados. Este índice é significativamente maior do que o medo de grupos armados (41%), demonstrando uma desconfiança profunda nas forças de segurança. Essa percepção se mantém mesmo entre os que apoiam as operações, com 59% sentindo medo da polícia contra 53% em relação às organizações criminosas.

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Jovens e pessoas pretas lideram rejeição e apontam racismo

A rejeição às operações policiais é ainda mais acentuada entre jovens e pessoas pretas. Entre os moradores de 18 a 29 anos, 79% desaprovam as ações, e entre pessoas pretas, o índice chega a 81%. A pesquisa também aponta uma percepção majoritária de racismo nas operações, com 61% dos entrevistados acreditando que o racismo está presente no planejamento e execução das ações policiais em favelas.

Os organizadores atribuem essa maior rejeição e a percepção de racismo à maior exposição desses grupos à violência policial e aos processos de criminalização, ressaltando a existência de uma “representação estereotipada do jovem negro da favela como suspeito permanente”.

Rejeição a operações letais e defesa de alternativas

A pesquisa também abordou a questão das operações letais, como a ocorrida nos Complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025, que resultou em 122 mortos. 85% dos moradores rejeitam que ações desse porte voltem a acontecer. Os pesquisadores ressaltam que os resultados não devem ser interpretados como apoio a grupos armados, mas sim como uma distinção clara entre a população residente e as redes criminosas.

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A divulgação desta pesquisa ocorre em um momento de debate eleitoral, com setores políticos defendendo o endurecimento das operações policiais. Os organizadores buscam pressionar por discussões sobre alternativas ao modelo de segurança baseado em confronto armado, enfatizando que “operação policial não pode ser a única forma da polícia atuar dentro da favela”.

Fonte: G1

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