Moradores de Copacabana relatam proliferação de mosquitos em pleno inverno
A tranquilidade noturna em Copacabana, um dos bairros mais emblemáticos do Rio de Janeiro, tem sido seriamente afetada por uma explosão de mosquitos. O que antes era um incômodo restrito aos meses de verão, agora se tornou uma constante no inverno, tirando o sono e a paz de muitos residentes.
Relatos de diferentes pontos do bairro descrevem uma rotina semelhante: os mosquitos chegam no fim do dia, permanecem a noite toda e comprometem o descanso. A situação se repete em ruas como Dias da Rocha, Constante Ramos e no Bairro Peixoto, indicando que o problema não se restringe a uma área específica.
Moradores experientes relatam nunca ter visto algo parecido. A persistência dos insetos, mesmo com o uso de repelentes e até mesmo com o ar-condicionado ligado em pleno inverno, evidencia a magnitude do problema que afeta a qualidade de vida na região.
Pernilongos dominam o cenário noturno em Copacabana
Daniela Ribeiro, moradora da rua Dias da Rocha há mais de quatro décadas, expressa sua surpresa com a situação: “Eu nunca tinha tido problemas com mosquitos até a pandemia. Desde então, tem piorado, mas neste ano está demais. Agora, no inverno, ficou ainda pior do que no verão.” Ela descreve ter visto “nuvens de insetos” e que o problema chega até o décimo andar de seu prédio.
Fernanda Oliveira, advogada que reside na rua Constante Ramos, confirma a dificuldade em conter a praga: “Moro no quinto andar e nunca vi tanto mosquito assim, ainda mais no inverno. Utilizo aquele repelente que fica ligado na tomada e ele simplesmente não está mais adiantando.” A advogada relata acordar diversas vezes durante a madrugada para eliminar os insetos, assim como seus pais, que no Bairro Peixoto passaram a dormir com o ar-condicionado ligado para ter uma noite tranquila.
Estratégias inusitadas para lidar com o incômodo
Eduarda Véttere, moradora de Copacabana há cerca de 30 anos, precisou incorporar novas táticas para conseguir dormir. “Passei a dormir com uma raquete elétrica ao lado da cama.” Seu filho de cinco anos, relata, acorda durante a madrugada reclamando de picadas e do zumbido dos mosquitos.
Carlos dos Santos, morador da rua Miguel Lemos, adotou o protetor de ouvidos e dorme completamente debaixo das cobertas para evitar as picadas e o barulho incessante dos insetos. “Pode parecer bobagem falando assim, mas é muita coisa mesmo, perturbador”, desabafa.
Causas e riscos: O que dizem os especialistas
Segundo o entomologista Arlindo Serpa Filho, do Centro de Educação Ambiental SOS Vida Silvestre e do Instituto Oswaldo Cruz, a hipótese principal é a proliferação de mosquitos do gênero Culex, popularmente conhecidos como pernilongos. Diferente do Aedes aegypti, que é mais ativo durante o dia, o Culex costuma aparecer ao entardecer e à noite, período em que os moradores de Copacabana mais relatam o incômodo.
Arlindo Serpa Filho explica que o inverno carioca ainda oferece condições favoráveis para o desenvolvimento desses insetos, como temperaturas frequentemente acima dos 20 graus, chuvas irregulares, alta umidade e disponibilidade de criadouros. “Esses fatores permitem que as populações de mosquitos sejam mantidas ao longo de praticamente todo o ano”, afirma.
Alerta para monitoramento e manejo ambiental
Apesar do grande incômodo, o especialista ressalta que, no momento, não há indícios de risco sanitário associado a este fenômeno. “A população deve encarar como um alerta para que o monitoramento entomológico seja intensificado e para que medidas de manejo ambiental e saneamento sejam adotadas com rapidez”, aconselha.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que atua regularmente no combate a vetores de doenças, como o Aedes aegypti. No entanto, reconhece que os principais chamados na região da Zona Sul se referem aos pernilongos, que se proliferam em água com matéria orgânica e, segundo a pasta, não transmitem doenças na cidade do Rio.
A prefeitura atribui o aumento da população desses insetos às condições climáticas atípicas, como temperaturas elevadas e chuvas intermitentes. A recomendação para a população é eliminar recipientes que acumulem água, manter calhas e ralos limpos, além de utilizar telas, mosquiteiros e repelentes como forma de proteção individual.
Fonte: G1
