Oposição adia pressão no STF sobre sucessão no RJ; royalties e veto da dosimetria ganham prioridade
A prometida obstrução dos trabalhos no Congresso pela bancada bolsonarista, visando pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a julgar a questão da linha sucessória do Rio de Janeiro, foi adiada. Diversas outras pautas foram consideradas mais prioritárias pela oposição neste momento.
A decisão de suspender a articulação ocorre às vésperas do julgamento, pelo STF, da redistribuição dos royalties do petróleo, tema de grande interesse para o estado fluminense. Parlamentares avaliam que não seria o momento ideal para irritar o Judiciário com manifestações de protesto.
O consenso é que, caso o Rio de Janeiro saia derrotado na questão dos royalties, a manobra bolsonarista para forçar a posse do presidente da Alerj, Douglas Ruas, no governo estadual poderá ser utilizada politicamente por aliados de Lula e Eduardo Paes na corrida eleitoral fluminense.
Royalties do petróleo: um julgamento de alto impacto financeiro
O julgamento sobre a redistribuição dos royalties do petróleo pode representar um impacto bilionário aos cofres do estado, com estimativas de R$ 20 bilhões. A decisão afeta diretamente áreas cruciais como saúde e segurança pública, o que explica a cautela da oposição em não gerar atritos com o STF.
Outras pautas que desviaram o foco da oposição
Além da questão dos royalties, outros temas recentes também influenciaram a mudança de estratégia da oposição. A rejeição do nome de Jorge Messias para o STF e a derrubada dos vetos à dosimetria penal foram pautas que consumiram energia e articulação do grupo.
Esses eventos tornam a execução dos planos de Douglas Ruas para assumir o Palácio Guanabara ainda mais difícil. A interpretação é de que a campanha do candidato apoiado pela família Bolsonaro contra Eduardo Paes corre contra o tempo para ganhar força eleitoral.
A necessidade de assumir o governo estadual o quanto antes é vista como crucial para a viabilidade da candidatura de Ruas, mas as atuais prioridades políticas e o potencial impacto negativo do julgamento dos royalties postergam essa estratégia.
Fonte: O Globo
