Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj, mas não assume o governo do Rio
A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) elegeu Douglas Ruas (PL) como seu novo presidente. No entanto, essa mudança no Legislativo não impacta, por enquanto, a chefia do governo estadual. Uma decisão da desembargadora Suely Lopes Magalhães manteve o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto, como governador em exercício, após a renúncia de Cláudio Castro.
Na prática, Ruas passa a ocupar uma posição na linha sucessória do governo, mas a assunção ao Executivo só será reavaliada após o Supremo Tribunal Federal (STF) definir o modelo de eleição que substituirá Castro definitivamente. A decisão judicial também afastou a possibilidade de interferência do Judiciário na forma de votação para a presidência da Alerj, validando o voto aberto.
O PDT havia pedido que a eleição fosse secreta, argumentando riscos de interferência. Contudo, Magalhães considerou que a escolha entre voto aberto ou fechado é uma prerrogativa da autonomia organizacional da Casa Legislativa, não havendo um risco concreto que justificasse a mudança. A magistrada ressaltou que a definição da modalidade de votação para a Mesa Diretora é um assunto interno da Alerj, diferente da eleição indireta para governador, que está sob análise do STF.
Boicote de Oposição à Votação Aberta na Alerj
A manutenção do voto aberto na eleição da Alerj levou o grupo político de Eduardo Paes a sinalizar um boicote à disputa. A avaliação é que o formato de votação inviabiliza candidaturas de oposição, pois a soma de votos do PL de Douglas Ruas e seus aliados (PP e União Brasil) ultrapassa os 36 votos necessários para eleger um presidente. O bloco adversário, composto por PSD, PT, PCdoB, PSB, PDT e MDB, somando 22 deputados, prometeu se retirar do plenário caso o voto aberto fosse mantido.
O PSOL, com cinco parlamentares, também se uniu ao boicote. A deputada estadual Renata Souza (PSOL) declarou que o partido não lançará candidatura própria e optará por obstruir a votação para não dar legitimidade ao processo. Ela criticou o que chamou de tentativa de “perpetuar as ações que o Cláudio Castro implementou, de uso da máquina pública em benefício próprio”.
Disputa Política Relevante para Eleições de Outubro
A disputa pelo comando da Alerj e a subsequente definição sobre quem chefia o governo estadual têm relevância direta para as eleições ao governo do Rio em outubro, onde Paes e Ruas serão adversários. A possibilidade de Douglas Ruas assumir o governo estadual antes das urnas era vista como uma forma de impulsionar sua candidatura e a do seu partido.
Apesar de sugestões internas no PL para que Ruas não fosse candidato e abrisse caminho para Guilherme Delaroli (PL), lideranças partidárias confirmaram que Ruas será o candidato. Após assumir a presidência da Alerj, ele e o PL devem buscar junto ao STF uma mudança no entendimento que mantém Ricardo Couto como governador em exercício, aguardando a decisão da Corte sobre o modelo de eleição suplementar.
Fonte: O Globo
