Nomeação na Nuclep: Mulher de André Ceciliano assume cargo e intensifica racha no PT do Rio
A médica Ludimilla Ramalho Ceciliano, esposa do ex-secretário de Assuntos Legislativos do governo Lula, André Ceciliano, foi nomeada para um cargo de assessoria na Diretoria-Executiva da estatal Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep). A decisão, oficializada em portaria no dia 6 de julho, vem alimentando tensões internas no Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro.
A indicação de Adeilson Ribeiro Telles para presidir a Nuclep, em dezembro do ano passado, já havia sido motivo de descontentamento. Uma ala do diretório estadual do PT alega que a nomeação de Telles foi um pedido do grupo político ligado a André Ceciliano, o que intensificou as divergências sobre os rumos do partido no estado.
Ludimilla Ceciliano ocupará uma função administrativa na estatal, com uma remuneração prevista de R$ 39 mil. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles. Procurado, André Ceciliano negou qualquer interferência política na nomeação, afirmando que sua esposa possui qualificações para o cargo e que ele não se intromete em sua vida profissional.
Qualificações e Defesa da Nomeação
Ludimilla Ceciliano defende sua nomeação, citando sua pós-graduação em medicina do trabalho e um currículo extenso. Ela ressalta seu compromisso e responsabilidade, além de afirmar que “nunca parou de estudar”. A Nuclep, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, não retornou o contato da reportagem até o momento da publicação.
Críticas e Acusações de Influência Política
Em janeiro, o vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, criticou a escolha de Telles para a presidência da Nuclep. Quaquá levantou preocupações sobre o impacto da prisão de Telles em 2018, no âmbito da Operação Rizoma da Polícia Federal, na imagem do governo Lula, especialmente em um período pré-eleitoral para 2026.
Quaquá também acusou a então ministra Gleisi Hoffmann (PT) de ter feito a escolha sem consultar o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). No entanto, dirigentes petistas ouvidos pela reportagem atribuem a indicação de Telles ao ministro Silveira. Segundo Quaquá, a nomeação de Telles teria sido um pedido da ala fluminense do partido, ligada ao deputado federal Lindbergh Farias e a Ceciliano, cujo cargo na época estava vinculado à pasta de Gleisi Hoffmann.
Histórico na Nuclep e Repercussões Internas
Aliados de Lindbergh Farias defendem que a escolha de Telles foi “natural”, dada sua atuação prévia na empresa. Telles ingressou na Nuclep em 2023 e ocupava o cargo de Gerente-Geral da Presidência desde maio de 2024. A nomeação de Ludimilla Ceciliano, por sua vez, adiciona mais um capítulo à complexa dinâmica política do PT no Rio de Janeiro, evidenciando as disputas por espaço e influência dentro da legenda.
Fonte: O Globo
