Letalidade Policial Cresce e Acende Alerta para Segurança Pública no Brasil
Em 2025, 17 estados brasileiros registraram aumento nas mortes decorrentes de intervenções policiais, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Este crescimento de 4,5% nacionalmente se contrapõe à tendência de queda nas mortes violentas, que diminuiu pelo quinto ano consecutivo no país.
Enquanto homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte apresentaram retrações, a letalidade policial seguiu em alta. Em uma década, o acúmulo de mortes por intervenção policial chega a 170%, evidenciando um padrão preocupante que reacende o debate sobre as estratégias de segurança pública.
Os dados, compilados a partir de informações das secretarias estaduais de Segurança Pública, revelam que nove estados tiveram redução nos casos, e o Distrito Federal manteve os números estáveis. A análise detalhada aponta para a necessidade de revisão das políticas de segurança que priorizam o confronto.
Rondônia e Grandes Centros Urbanos: Um Panorama Preocupante
O estado de Rondônia apresentou o crescimento mais expressivo, saltando de oito mortes em 2024 para 47 em 2025, um aumento de 488%. Em números absolutos, a Bahia liderou o ranking nacional, com 1.569 mortes, seguida por São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798). Essas três unidades federativas concentram um alto volume de ocorrências.
Rio de Janeiro: Megaoperações e Impacto nos Indicadores
No Rio de Janeiro, o aumento de 13% nas mortes por intervenção policial em 2025 foi significativamente influenciado por grandes operações, como a realizada no final de outubro contra o Comando Vermelho. Essa ação específica resultou em 121 mortes, sendo 117 suspeitos e quatro policiais, gerando forte repercussão nacional.
Taxas Proporcionais e a Lógica do Confronto
As maiores taxas proporcionais de mortes por 100 mil habitantes foram registradas no Amapá (17,11), Bahia (10,55) e Pará (7,28). Especialistas apontam que esses números demonstram que o problema não se restringe aos grandes centros urbanos. O tenente-coronel aposentado da PM de São Paulo, Adilson Paes de Souza, atribui a situação à permanência de uma lógica de confronto letal como estratégia de segurança, que atravessa diferentes governos.
Uso de Armas Não Letais e Prioridades Estaduais
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, destaca que as políticas voltadas ao uso de armas não letais ainda possuem pouco impacto prático. Segundo ela, apesar da existência de projetos e recursos, a redução do uso da força letal não tem sido prioridade para a maioria dos estados, o que contribui para a manutenção dos altos índices.
Queda nas Mortes de Agentes e Suicídios
Em contraste com o aumento da letalidade policial, as mortes de agentes de segurança pública caíram 8% em 2025, totalizando 185 casos. No entanto, o Rio de Janeiro concentrou quase 42% desse total, com 77 policiais mortos, um aumento de 35% em relação a 2024. Os suicídios de policiais também apresentaram queda nacional, passando de 151 para 131 casos, embora a média ainda indique um agente tirando a própria vida a cada três dias no Brasil.
Fonte: Portal Terra Da Luz
