Monique Medeiros depõe no júri da morte de Henry Borel
No nono dia do julgamento popular pela morte do menino Henry Borel, sua mãe, Monique Medeiros, declarou em depoimento que, caso tivesse conhecimento das agressões sofridas pelo filho, não estaria no banco dos réus ao lado do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho.
A ex-professora, que chorou em diversos momentos durante as cerca de seis horas de interrogatório, afirmou pela primeira vez aos jurados que acredita que Jairinho foi o autor da morte de Henry, ocorrida em março de 2021. O depoimento foi acompanhado atentamente pelos sete jurados que decidirão o futuro dos acusados.
Monique relatou que, por um período, acreditou na versão de Jairinho de que Henry teria sofrido um acidente doméstico ao cair da cama. Sentindo-se culpada, chegou a ter pensamentos suicidas nos dias seguintes à morte do filho, mas se manteve viva com o desejo de reencontrar Henry no céu. Conforme informação divulgada pelo g1.
Desconfiança e confronto com Jairinho
A desconfiança de Monique em relação a Jairinho começou a surgir após descobrir informações que contradiziam as versões apresentadas pelo ex-vereador. Em um momento de confronto, ela relatou ter dado tapas no rosto dele e o acusado diretamente: “Você matou meu filho”.
Jairinho, segundo Monique, jurou em uma Bíblia que nunca havia encostado um dedo em Henry. No entanto, a ex-professora agora afirma: “Hoje eu acredito que foi o Jairo”. Ela detalhou que o relacionamento com o ex-vereador era marcado por ciúmes excessivos, controle e violência psicológica.
Controle e episódios de violência no relacionamento
Monique descreveu como Jairinho monitorava sua localização, questionava suas amizades, exigia que bloqueasse pessoas nas redes sociais e criticava sua profissão de professora. Ela também mencionou que o ex-vereador controlava suas vestimentas e exigia acesso às suas senhas, descobrindo posteriormente que ele mantinha relacionamentos paralelos.
Um episódio relatado foi um enforcamento por parte de Jairinho após uma discussão sobre mensagens com o ex-marido. Monique pediu que ele parasse, pois Henry dormia ao lado, e apesar das desculpas posteriores, ela acreditou que fosse um incidente isolado.
Mudança na relação e acusações de agressão
A convivência entre Jairinho e Henry teria mudado após reclamações de Leniel Borel, pai da criança. Monique relatou um incidente em que Jairinho teria dado uma “banda” e uma “moca” em Henry, que correu para contar à mãe. Apesar disso, ela sustentou que não percebeu a gravidade das ações e nunca imaginou que o filho estivesse sendo vítima de agressões sistemáticas.
Monique também declarou que não foi informada pela babá, Thayná de Oliveira Ferreira, sobre episódios mais graves, afirmando que não deixaria Henry sozinho com Jairinho se soubesse da violência. Ela ainda levantou a suspeita de ter sido dopada por Jairinho na noite da morte de Henry, acreditando que ele usava o celular dela para monitorá-la.
Vida financeira e o caso Henry
Rebatendo acusações de interesse financeiro, Monique afirmou ser servidora concursada e ter estabilidade financeira antes do relacionamento. Ela destacou que nunca teve uma vida de luxo, com carro financiado, morando de aluguel e dividindo despesas.
Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morreu em março de 2021 após ser levado desacordado ao hospital. Investigações apontam que a criança foi vítima de agressões no apartamento onde estava com a mãe e Jairinho, culminando em hemorragia interna. Jairinho responde por homicídio triplamente qualificado e tortura, enquanto Monique responde pelos mesmos crimes por omissão. Ambos negam as acusações.
Fonte: g1
