Lula busca reverter cenário eleitoral no Rio de Janeiro com aproximação de aliados
Em busca de fortalecer sua votação no Estado do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado suas visitas ao estado. Recentemente, o presidente realizou sua quarta aparição pública ao lado do governador interino Ricardo Couto em um período de dois meses, demonstrando uma estratégia clara de aproximação com forças locais.
Essa aproximação ocorre em um momento crucial para a campanha de reeleição de Lula, que busca recuperar o terreno perdido nos últimos anos no Rio. O estado, que já foi um reduto eleitoral expressivo para o PT em 2002, viu a votação do partido cair gradativamente, culminando na eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
A estratégia de Lula no Rio inclui a construção de um palanque com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo estadual. Com aliados de Flávio Bolsonaro (PL) fora da gestão estadual, o PT vê uma oportunidade de melhorar seu desempenho eleitoral no estado, justificando a presença frequente do presidente.
Afagos e emoção marcam encontro entre Lula e Ricardo Couto
Durante o encontro mais recente, marcado por trocas de elogios, Ricardo Couto se emocionou ao agradecer o apoio de Lula, chegando a chorar. O governador interino, que é presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), destacou a expectativa gerada por sua atuação no Palácio Guanabara, que impediu o PL de manter o controle da máquina estadual.
Lula, por sua vez, elogiou a expectativa criada por Couto, afirmando que “nenhum político eleito criou a expectativa” que ele gerou. A permanência de Couto como governador interino é resultado de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que pode estender seu mandato até o fim do ano.
Histórico de prisões e críticas marcam governos recentes no Rio
Em visitas anteriores, Lula já havia criticado a situação política do Rio, pedindo a Couto que atuasse para “prender todos os ladrões que governaram” o estado. A história recente do Rio de Janeiro é marcada por prisões e destituições de governadores eleitos nos últimos 30 anos, incluindo aliados e adversários políticos de Lula.
O presidente também já se referiu a deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) como “milícia organizada” e alertou que a escolha de um governador pela Alerj poderia resultar na eleição de um “miliciano”, em referência ao então presidente da assembleia, Douglas Ruas (PL), que seria adversário de Paes na disputa pelo governo.
Intensificação da presença de Lula no Rio de Janeiro
Desde maio, Lula esteve no Rio de Janeiro quatro vezes, o mesmo número de visitas realizadas a São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Essa frequência demonstra a importância estratégica do Rio para a campanha presidencial.
Apesar de ter recebido Lula, Eduardo Paes não acompanhou o presidente em todas as agendas, pois estava focado em sua pré-campanha no interior do estado. Lula, em tom de brincadeira, comentou que Couto, apesar de se declarar não político, acabará falando como um devido à sua proximidade com o presidente.
Fonte: g1.globo.com
