PF Revela Influência da Refit na Fazenda do Rio de Janeiro
Investigações da Polícia Federal, que culminaram na Operação Sem Refino, indicam que o grupo Refit, atuante no mercado de combustíveis, teria exercido influência indevida sobre decisões da Secretaria de Fazenda do estado do Rio de Janeiro. O objetivo seria obter vantagens para suas operações.
O principal ponto de investigação recai sobre Álvaro Barcha Cardoso, apontado como o operador do grupo junto ao governo estadual. Mensagens interceptadas pela PF sugerem que Cardoso, mesmo sem vínculo funcional com a secretaria, orientava auditores fiscais em assuntos cruciais para o setor de combustíveis.
As apurações da PF apontam para uma atuação reiterada de Cardoso como agente externo com acesso privilegiado, influenciando rotinas internas da Fazenda estadual. Em conversas interceptadas, o operador parece dar ordens a um auditor fiscal para manter a inscrição estadual de empresas concorrentes cassada, o que seria um benefício direto para o grupo Refit.
Diálogo Sugere Benefício a Grupo Econômico
Em abril de 2024, uma troca de mensagens entre Cardoso e o auditor fiscal Carlos França detalha a interferência. Cardoso teria determinado a França que mantivesse a inscrição estadual de uma empresa cassada, o que a PF interpreta como uma ação para prejudicar concorrentes da Refit, como a Tobras e Tramp Oil. O auditor respondeu que, com a ordem do chefe, impediria a inscrição e ainda cancelaria o recadastramento da empresa.
A PF considera a conversa como prova de que “o auditor cumpre ordens do segundo para manter cassada uma empresa, provavelmente fora do grupo de favorecidas”. A investigação também encontrou na nuvem de dados de Cardoso fotos ostentando “vultosas quantias de dinheiro em espécie” e diversos contatos salvos com “Pix” no nome, indicando fluxo financeiro.
Ex-Governador e Refinaria de Manguinhos na Mira
A Polícia Federal comunicou ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, que o ex-governador Cláudio Castro teria utilizado a máquina pública para beneficiar e blindar o grupo Refit, do empresário Ricardo Magro. O grupo, que controla a Refinaria de Manguinhos, acumulou dívidas estaduais estimadas em quase R$ 10 bilhões ao longo de anos sem recolher impostos, até ser beneficiado por programas de parcelamento.
Em nota, a Refit declarou não conhecer Álvaro Barcha Cardoso e negou qualquer interferência em decisões do estado em relação à Tobras Distribuidora de Combustível. A reportagem não conseguiu localizar Cardoso e França nem suas defesas.
O ex-governador Cláudio Castro afirmou em nota que está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura” e que sua gestão obedeceu a critérios técnicos e legais. Ele destacou que sua administração foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, totalizando cerca de R$ 1 bilhão em parcelas garantidas.
Fonte: G1
