Investigações e prisões de ex-governadores do Rio de Janeiro se tornam recorrentes
A recente operação da Polícia Federal que investiga o atual governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), adiciona mais um nome à extensa lista de ex-governadores do estado que enfrentaram investigações por suspeitas de corrupção e outras irregularidades desde a redemocratização do Brasil. Desde 1985, sete ex-chefes do Executivo fluminense foram alvos de apurações, e cinco deles chegaram a ser presos.
A Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), apura supostas fraudes em negócios de um conglomerado do setor de combustíveis. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência de Castro, onde seu celular e tablet foram apreendidos. O político já havia sido indiciado anteriormente pela PF por suspeitas de corrupção passiva e peculato.
Este histórico de envolvimento de governadores em escândalos de corrupção tem marcado a política fluminense, gerando grande repercussão e impactando a confiança pública nas instituições.
Sérgio Cabral: Símbolo da corrupção e da Lava Jato no Rio
O caso de maior notoriedade é o do ex-governador Sérgio Cabral, preso em novembro de 2016 pela Operação Lava Jato. Acusado de comandar um esquema bilionário de corrupção em contratos públicos, Cabral governou o Rio de Janeiro entre 2007 e 2014, tornando-se um símbolo da crise política no estado.
Wilson Witzel: Impeachment após investigação na saúde
Wilson Witzel também figura na lista. Em 2020, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) o afastou do cargo sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção na área da saúde durante a pandemia de Covid-19. Meses depois, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou seu impeachment.
Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho: Prisões por crimes eleitorais e corrupção
Anthony Garotinho, que administrou o estado entre 1999 e 2002, foi preso em diferentes ocasiões a partir de 2016, em investigações sobre supostos crimes eleitorais. Sua esposa e sucessora, Rosinha Garotinho, também foi presa em 2017, sob suspeita de participação em esquemas de corrupção e caixa dois eleitoral.
Luiz Fernando Pezão e Wellington Moreira Franco: Esquemas de propina e absolvição
Em novembro de 2018, Luiz Fernando Pezão foi preso ainda no exercício do mandato, acusado de integrar um esquema de pagamento de propina. Já Wellington Moreira Franco, governador entre 1987 e 1991, foi preso em 2019 em uma investigação da Lava Jato, mas posteriormente absolvido por falta de provas.
Desde a redemocratização, apenas dois governadores eleitos do Rio escaparam de investigações e prisões: Leonel Brizola (1991-1994) e Marcello Alencar (1995-1999). Vice-governadores que assumiram o cargo temporariamente, como Nilo Batista, Benedita da Silva e Francisco Dornelles, também não enfrentaram investigações.
Fonte: G1
