Traficantes do Rio Adotam Táticas de Guerra Inspiradas na Ucrânia com Uso de Drones Explosivos
A sofisticação tecnológica observada em conflitos internacionais, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, está servindo de inspiração para facções criminosas no Rio de Janeiro. O uso de drones para lançar explosivos, antes restrito a campos de batalha, agora influencia as estratégias de disputa territorial do tráfico de drogas no estado.
A avaliação é do secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos, que destacou a preocupante criatividade do crime organizado em adaptar tecnologias disponíveis. “Isso é copiado. A tecnologia com essa sofisticação ainda não chegou aqui ao Rio, mas, para o mal, há uma criatividade. É fácil comprar essas ferramentas pela internet. Colocar artefatos explosivos era questão de tempo”, afirmou Santos durante o seminário Caminhos do Rio.
Enquanto criminosos adquirem drones com facilidade pela internet, o poder público enfrenta um processo mais moroso para obter equipamentos capazes de neutralizar essas aeronaves. A aquisição de tecnologia antidrone pelo Estado depende de processos licitatórios e avaliações técnicas complexas, segundo o secretário. Estudos para identificar as tecnologias mais adequadas estão em andamento com o apoio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Governo Federal Doará Sistemas Antidrone ao RJ
Em um esforço para combater o avanço dessa tática criminosa, o governo federal anunciou a doação de dois sistemas antidrone para o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro. A iniciativa faz parte do Programa Brasil Contra o Crime Organizado e tem previsão de entrega até o final do ano. Os equipamentos serão capazes de localizar operadores de drones e interceptar as aeronaves.
Aumento de Ataques com Drones no Rio
O debate sobre o uso de drones pelo crime organizado ganha urgência com o aumento dos ataques no Rio. Desde março, foram registrados ao menos sete incidentes com explosivos lançados por drones na cidade. Na madrugada desta terça-feira, moradores do Complexo da Penha relataram uma nova explosão durante um confronto armado na região da Chatuba, que pode ter sido causada por um drone, elevando o número para oito casos no período.
Fonte: O Globo
