Feira Preta Festival movimenta R$ 8 milhões e atrai mais de 30 mil pessoas no Rio de Janeiro
O aguardado retorno do Feira Preta Festival à capital fluminense superou todas as expectativas, reunindo mais de 30 mil pessoas ao longo de três dias de programação gratuita. O evento, que ocupou pontos históricos da Pequena África, como o Píer Mauá e o Armazém Kobra, reafirmou seu papel como uma plataforma essencial para a economia criativa e a cultura afro-diaspórica no Brasil.
A iniciativa, que celebra a ancestralidade e a inovação negra, funcionou como um poderoso motor econômico. A organização estima que o festival tenha gerado uma movimentação financeira de até R$ 8 milhões em vendas, beneficiando diretamente cerca de 150 empreendedores de diversos estados, além de fornecedores e prestadores de serviço.
“Retornar ao Rio depois de 10 anos é reconhecer a força desse território na formação da cultura negra brasileira. A Pequena África é um símbolo vivo de memória e resistência, mas também de futuro”, afirmou Adriana Barbosa, fundadora do Feira Preta Festival. Ela ressaltou que a força da cultura preta move economias e cria novas possibilidades de desenvolvimento.
Domingo de debates e celebração da cultura afro-brasileira
O último dia do festival foi marcado por intensos debates e uma vibrante feira de empreendedores, que apresentou o melhor da moda, gastronomia, design e literatura autoral. O painel “Travessias Negras: encontros com a própria história” contou com a participação do humorista Paulo Vieira e de Rei Black, promovendo uma reflexão sobre identidade e memória.
“A Feira Preta é uma iniciativa importante, que se mantém todos os anos e que desperta em nós essa vontade de estar em comunidade. Essas ações que são oficiais da nossa comunidade são muito importantes. Fiquei muito feliz de ver a quantidade de crianças aqui”, comentou Paulo Vieira. Ele destacou a importância de ver o povo preto reunido.
Encontros musicais emocionam o público na despedida
A programação musical de encerramento foi um tributo ao protagonismo feminino negro e às gerações que moldam a música brasileira. No Palco Pedra do Sal, Leci Brandão dividiu o palco com as cantoras Marina Iris e Geovana, em um encontro geracional emocionante. Em seguida, Teresa Cristina, ao lado de Áurea Martins e Rita Beneditto, celebrou a resistência cultural e a ancestralidade.
“Fazer show na Feira Preta é uma forma de se lembrar da vida desses mais de 80 anos. Espero que, com a minha trajetória e com a minha arte, eu tenha conseguido ajudar as pessoas que estão na periferia, na favela e na roda”, compartilhou Leci Brandão.
O Feira Preta Festival, integrado à iniciativa “Viva Pequena África” do BNDES, encerra sua edição histórica no Rio de Janeiro deixando um legado de articulação cultural, fomento a pequenos negócios e fortalecimento de redes econômicas para a população negra.
Fonte: Carlos Samor
