Investimento Estrangeiro em Imóveis Compactos no Rio de Janeiro Dispara
O mercado imobiliário carioca tem observado um aumento significativo no interesse de investidores estrangeiros, especialmente por apartamentos compactos, conhecidos como estúdios. Essa tendência está diretamente ligada à recuperação do turismo na cidade e à expansão de plataformas de aluguel de curta temporada, como o Airbnb.
A empresa Lobie, especializada em gestão de imóveis para locação de curta duração, registrou um salto na participação de proprietários estrangeiros em seu portfólio, de 2% para 18% em apenas três anos. Atualmente, a companhia gerencia cerca de 8.000 estúdios, entre unidades prontas e em construção, com compradores vindos da Europa, América Latina, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.
Representantes do setor atribuem esse crescimento à valorização do turismo pós-pandemia e à facilidade de realizar transações imobiliárias à distância. A cotação favorável do dólar em relação ao real também torna os imóveis brasileiros mais atraentes para investidores internacionais.
Crescimento Acelerado e Diversidade de Compradores
A incorporadora RJDI também confirmou o aumento na participação de estrangeiros nas vendas de estúdios. A proporção de clientes internacionais nas transações passou de um a cada oito vendas para um a cada seis em um período de oito meses, evidenciando a aceleração do interesse.
Embora os estúdios sejam o foco principal, apartamentos maiores também são utilizados para locação de curta temporada, o que, segundo defensores da modalidade, amplia as opções de hospedagem e atende à demanda gerada por grandes eventos.
Debate sobre Regulamentação e Impactos Urbanos
A expansão do aluguel de curta temporada, no entanto, gera debates. Críticos apontam que essa modalidade pode pressionar os preços dos aluguéis tradicionais em áreas turísticas e causar impactos na rotina dos condomínios residenciais. A Câmara Municipal do Rio iniciou discussões sobre a regulamentação do setor, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que proprietários precisam de autorização expressa em assembleia, aprovada por pelo menos dois terços dos condôminos, para oferecer locações de curta temporada em condomínios residenciais.
O Airbnb, por sua vez, afirma acompanhar as discussões e defende a legalidade da atividade, destacando suas ferramentas de segurança para hóspedes, anfitriões e condomínios.
Mercado de Studios Além do Turismo
A popularidade dos estúdios não se restringe ao Rio de Janeiro. Mudanças nos hábitos de moradia e a redução do tamanho das famílias contribuem para a ascensão desse tipo de imóvel em grandes cidades brasileiras. São Paulo, por exemplo, registrou mais de 50 mil lançamentos de unidades compactas entre 2020 e 2025, enquanto o Rio contabilizou 7.410 no mesmo período.
O programa Reviver Centro, da Prefeitura do Rio, lançado em 2021 para revitalizar a região central, também impulsionou o mercado de apartamentos compactos, com forte procura em bairros da Zona Sul como Copacabana, Ipanema e Leblon. Em empreendimentos próximos à praia de Ipanema, cerca de 20% a 30% das unidades foram adquiridas por estrangeiros.
O crescimento expressivo do turismo é um motor fundamental desse movimento. Em 2025, o Aeroporto Internacional do Galeão registrou o maior volume anual de passageiros desde 2000, com 17,5 milhões de pessoas.
Preços dos Studios no Rio de Janeiro
Os valores dos estúdios variam significativamente conforme a localização. Na região central, lançamentos podem custar a partir de R$ 360 mil (aproximadamente R$ 12 mil por metro quadrado). Em bairros turísticos como Copacabana, o metro quadrado pode atingir R$ 30 mil, elevando o preço de um estúdio para cerca de R$ 900 mil.
Em áreas nobres da Zona Sul, como Ipanema e Leblon, o metro quadrado pode variar entre R$ 45 mil e R$ 50 mil, com estúdios de 30 metros quadrados custando entre R$ 1,4 milhão e R$ 1,5 milhão.
A Prefeitura do Rio informou que busca ampliar e diversificar a oferta imobiliária através de novas legislações e projetos habitacionais, visando reduzir a pressão sobre os preços de moradia na cidade.
Fonte: Folhapress
