Estrangeiros impulsionam compra de estúdios no Rio de Janeiro em meio ao boom do turismo e dólar favorável

Estrangeiros impulsionam compra de estúdios no Rio de Janeiro em meio ao boom do turismo e dólar favorável

Investimento imobiliário no Rio atrai estrangeiros com foco em aluguel de curta temporada A cidade do Rio de Janeiro tem observado um aumento significativo na compra de apartamentos compactos, conhecidos como estúdios, por parte de investidores estrangeiros. Essas unidades, geralmente com cerca de 30 metros quadrados, têm se consolidado como uma promissora fonte de renda, […]

Resumo

Investimento imobiliário no Rio atrai estrangeiros com foco em aluguel de curta temporada

A cidade do Rio de Janeiro tem observado um aumento significativo na compra de apartamentos compactos, conhecidos como estúdios, por parte de investidores estrangeiros. Essas unidades, geralmente com cerca de 30 metros quadrados, têm se consolidado como uma promissora fonte de renda, especialmente através de plataformas de aluguel de curta duração como o Airbnb.

Este interesse crescente acompanha a forte retomada do turismo na capital fluminense após a pandemia. A combinação de um cenário turístico aquecido e o avanço de tecnologias que facilitam transações imobiliárias à distância tem impulsionado a demanda externa. Empresas do setor imobiliário relatam um aumento expressivo na participação de compradores internacionais.

A valorização do dólar frente ao real também contribui para tornar os imóveis cariocas mais acessíveis para compradores estrangeiros, tornando o investimento ainda mais atrativo. Essa tendência reflete um movimento mais amplo no mercado imobiliário, com o aumento da popularidade de imóveis compactos.

Estúdios: uma aposta rentável no mercado imobiliário carioca

Empresas como a Lobie, especializada em gestão de imóveis de curta temporada, informam que estúdios representam uma parcela crescente de seu portfólio, com a participação de proprietários estrangeiros saltando de 2% para 18% em poucos anos. Europeus, latino-americanos, norte-americanos e investidores dos Emirados Árabes Unidos estão entre os principais compradores.

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Segundo Jomar Monnerat, sócio da incorporadora RJDI, muitos estrangeiros adquirem esses imóveis para uso pessoal por alguns meses e, no restante do tempo, os deixam gerando renda com locações temporárias. A taxa de câmbio favorável, com o dólar na faixa de R$ 5, torna os preços convidativos.

A RJDI observou um aumento na proporção de estrangeiros entre seus compradores de estúdios, passando de quase 13% para cerca de 17% em um período de oito meses. Essa modalidade de investimento não se restringe a estúdios, mas também abrange apartamentos maiores em condomínios com potencial para locação de curta duração.

Debate sobre regulamentação e o impacto do aluguel de curta temporada

Apesar dos benefícios econômicos, o avanço do aluguel de curta duração tem gerado debates. Críticos apontam para a pressão sobre os preços de aluguel tradicional em bairros turísticos como Copacabana e Ipanema, além de preocupações com o sossego e a segurança em condomínios. A Câmara Municipal do Rio tem discutido a eventual regulamentação da modalidade.

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O Airbnb defende a prática, destacando sua importância para o turismo e a geração de renda para anfitriões, muitos dos quais são aposentados ou utilizam o valor para complementar suas despesas. A plataforma afirma que a segurança é prioridade e que a vasta maioria das reservas ocorre sem incidentes.

Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que locações de curta temporada em condomínios residenciais exigem autorização expressa em assembleia, com aprovação de ao menos dois terços dos condôminos. O Airbnb considera a decisão como referente a um caso específico e não definitiva.

O fenômeno dos estúdios e os incentivos urbanísticos

O crescimento da oferta de estúdios não é exclusivo do Rio de Janeiro, sendo uma tendência observada em outras metrópoles, impulsionada também pela redução do tamanho das famílias no Brasil. Em São Paulo, foram lançadas mais de 50 mil unidades entre 2020 e 2025, enquanto no Rio o número chegou a 7.410.

No Rio, o plano Reviver Centro, da Prefeitura, tem incentivado incorporadoras a investir na região central, concedendo potencial construtivo para a zona sul, onde muitos projetos de unidades compactas têm sido lançados. Mudanças na legislação municipal em 2019 também reduziram a área mínima útil para construções em algumas partes da cidade.

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Empreendimentos de estúdios próximos à praia de Ipanema registraram vendas significativas para estrangeiros, com percentuais chegando a 20% e 30% em alguns casos. O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana sugere a autorregulação por parte dos condomínios para conciliar os interesses de moradores e proprietários.

Preços e perspectivas para o mercado imobiliário

Os preços dos estúdios variam consideravelmente de acordo com a localização. No centro do Rio, o metro quadrado de um lançamento pode partir de R$ 12 mil, resultando em um valor aproximado de R$ 360 mil para uma unidade de 30m². Em Copacabana, o metro quadrado pode atingir R$ 30 mil (até R$ 900 mil para um estúdio).

Em bairros nobres como Ipanema e Leblon, os valores podem alcançar R$ 45 mil a R$ 50 mil por metro quadrado, com estúdios de 30m² custando entre R$ 1,4 milhão e R$ 1,5 milhão. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento afirma que a prefeitura trabalha para expandir e diversificar a oferta imobiliária, visando reduzir a pressão sobre os preços.

Fonte: G1

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