CPI do Crime Organizado investiga avanço de facções e milícias no Rio de Janeiro
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado ouve nesta terça-feira (14) o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. O depoimento acontece em um momento crucial para os trabalhos da CPI, com foco na capacidade do Estado em conter o avanço de facções criminosas e milícias no estado.
A investigação aponta falhas estruturais que, segundo o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de convocação, contribuem para a expansão do crime organizado. O Rio de Janeiro é considerado um dos casos mais complexos do país, com um histórico de violência armada, economia ilegal e dificuldade de resposta institucional.
Recentemente, a dinâmica no estado mudou, com a divisão entre facções de narcotráfico e milícias sendo substituída por uma atuação mais integrada. Essa união, classificada como “narcomilícia”, amplia o alcance das organizações criminosas e consolida um sistema que combina controle armado com exploração econômica, substituindo a presença do Estado em algumas regiões.
Atuação integrada: “Narcomilícia” e diversificação de atividades criminosas
As organizações criminosas no Rio de Janeiro não se limitam mais ao tráfico de drogas. Elas expandiram suas atividades para áreas como transporte alternativo, fornecimento de água e gás, internet clandestina, construção civil irregular e cobrança de taxas de segurança. Essa diversificação fortalece a estrutura paralela que, em certas regiões, opera em substituição ao Estado.
O relator da CPI destaca a necessidade de uma nova abordagem no combate ao crime organizado, que vá além da atuação policial ostensiva. É fundamental compreender como essas redes se organizam financeiramente e como conseguem se infiltrar nas estruturas do poder público para identificar os mecanismos que permitem sua manutenção e expansão.
Gestão de segurança de Cláudio Castro sob análise
A convocação de Cláudio Castro se dá pelo fato de ele ter comandado as políticas de segurança pública do Rio de Janeiro durante seu mandato. Desde 2020, o então governador foi responsável pelas estratégias adotadas no enfrentamento ao crime organizado, incluindo operações policiais de grande porte e ações de retomada de territórios.
Iniciativas como a Operação Contenção, realizada em 2025 e que resultou em 121 mortos, serão avaliadas pela CPI. O objetivo é analisar se o modelo de gestão adotado foi eficaz em enfraquecer as organizações criminosas ou se teve um impacto limitado, gerando controvérsias, especialmente quanto à letalidade policial e à sustentabilidade dos resultados.
Financiamento e lavagem de dinheiro em foco
Um dos eixos centrais da investigação é o financiamento das organizações criminosas. A CPI busca entender como ocorre a lavagem de dinheiro, quais os mecanismos utilizados pelas facções e milícias, e onde estão os principais gargalos na atuação do poder público para interromper o fluxo de recursos que sustenta essas estruturas.
A comissão entende que, sem atingir o núcleo financeiro, o combate ao crime tende a produzir resultados apenas temporários. O depoimento de Castro pode trazer informações sobre as limitações enfrentadas pelo governo do Rio em questões legais, operacionais e de integração entre órgãos.
Infiltração do crime em estruturas públicas é ponto sensível
A possível infiltração do crime organizado em estruturas públicas é outro tema de grande relevância para a CPI. A investigação busca determinar até que ponto as organizações conseguem influenciar ou se infiltrar em instituições do Estado, incluindo a atuação de agentes públicos e falhas em mecanismos de controle interno.
A comissão também analisará o fluxo de informações entre os níveis estadual e federal, investigando se falhas no compartilhamento de dados de inteligência podem ter prejudicado ações de combate ao crime. A identificação e punição de desvios dentro das forças de segurança também estão no escopo da apuração.
Fonte: G1
