Irmão de Monique Medeiros aponta manipulação na versão inicial sobre morte de Henry Borel
O julgamento pela morte de Henry Borel ganhou um novo capítulo com o depoimento de Bryan Medeiros da Costa e Silva, irmão de Monique Medeiros. Durante a audiência, Bryan afirmou que sua irmã teria sido orientada a mentir no início das investigações. Ele responsabilizou a antiga defesa do casal, incluindo o advogado André França, pela construção de uma versão apresentada à polícia logo após o falecimento da criança.
Segundo Bryan, a intenção de Jairinho e do advogado era manipular os fatos e construir uma narrativa falsa sobre a madrugada em que Henry morreu. “A Monique foi treinada para mentir no primeiro depoimento, e a gente não tinha ideia de que isso seria extremamente prejudicial”, declarou o irmão, ressaltando que a defesa não agiu em prol de Monique, mas sim modificou os fatos após a morte do menino.
O irmão de Monique detalhou que a família foi instruída a reforçar uma versão específica sobre os acontecimentos da madrugada de 8 de março de 2021. A narrativa construída colocava Monique como a primeira a encontrar Henry desacordado no apartamento onde vivia com o então namorado, o ex-vereador Dr. Jairinho. “Falar que o Jairo acordou seria extremamente prejudicial. Então colocaram a Monique nessa posição. A missão era disseminar essa narrativa”, afirmou Bryan.
Ausência de sinais de agressão em Henry
Bryan Medeiros também relatou que nunca observou sinais de agressão em Henry durante as visitas do menino à casa da família em Bangu. Ele destacou que a criança possuía uma pele muito clara, o que tornaria qualquer marca facilmente visível. “Henry tinha a pele muito branquinha. Se tivesse alguma mancha, ficaria muito destacada”, disse aos jurados.
Ciúmes e controle por parte de Jairinho
O depoimento revelou que Monique relatava episódios de ciúmes e comportamento controlador por parte de Jairinho. Conforme Bryan, a irmã mencionava que seu telefone era monitorado e que o ex-vereador demonstrava incômodo com a presença de Leniel Borel, pai de Henry, na rotina do filho. A testemunha também defendeu Monique em relação a uma selfie tirada na delegacia, afirmando que a imagem foi compartilhada de forma “maldosa” para reforçar uma imagem de insensibilidade.
Emoção e silêncio no tribunal
Durante o depoimento do irmão, Monique Medeiros se emocionou em diversos momentos, chegando a chorar e soluçar. Jairinho, por sua vez, manteve-se em silêncio e fez anotações. O júri popular se aproxima da reta final, com 14 das 27 testemunhas já ouvidas. A expectativa é que o veredito seja proferido até a próxima quinta-feira (4).
Monique Medeiros e Jairinho são julgados por homicídio triplamente qualificado e tortura. O Ministério Público alega que Henry foi submetido a agressões físicas antes de morrer no apartamento onde morava com a mãe e o padrasto.
Fonte: G1
