Defesa de Monique Medeiros critica acusação e pede absolvição no caso Henry Borel
No último dia do julgamento de Monique Medeiros e do ex-vereador Jairinho, pela morte do menino Henry Borel, a defesa de Monique solicitou sua absolvição. A advogada Florence Rosa sustentou que não há provas concretas de que a mãe tivesse conhecimento das agressões sofridas pelo filho.
A defensora criticou a estratégia da acusação, que, segundo ela, focou na vida pessoal de Monique, seus hábitos e relacionamento com Jairinho, em vez de apresentar elementos que comprovem sua participação ou ciência dos crimes. Florence classificou essa abordagem como uma forma de violência de gênero.
O Ministério Público, conforme a defesa, baseou-se em interpretações e narrativas, utilizando também conteúdos de redes sociais e opiniões de especialistas para construir uma imagem negativa da ré. A advogada enfatizou que o processo deveria ser analisado estritamente com base nas provas produzidas nos autos.
Ausência de provas e alegações de manipulação
Durante os dez dias de julgamento, a defesa argumentou que nenhuma prova demonstrou que Monique tivesse conhecimento das agressões praticadas contra Henry. A acusação, segundo a advogada, falhou em comprovar que a mãe sabia do que acontecia dentro da residência.
A defesa voltou a destacar os relatos de violência psicológica e controle exercidos por Jairinho durante o relacionamento. Florence argumentou que Monique também foi vítima de manipulação e agressões, o que teria dificultado sua percepção sobre os crimes contra o filho. A acusação, na visão da defesa, ignorou esse contexto.
Críticas à atuação da ex-babá e comparações com ex-companheiras de Jairinho
A advogada questionou a atuação da ex-babá de Henry, Thaynara de Oliveira Ferreira, que estava presente em momentos apontados como episódios de tortura. Florence indagou por que a babá não responde pelos mesmos fatos atribuídos a Monique, sugerindo critérios diferentes para pessoas em posições semelhantes na rotina da criança.
Citações de depoimentos de ex-companheiras de Jairinho, que relataram episódios de violência envolvendo seus filhos, foram usadas para reforçar a tese de que Monique não tinha conhecimento das agressões contra Henry. Essas testemunhas também teriam tido dificuldade em identificar agressões atribuídas ao ex-vereador.
Ausência em momentos de agressão e pedido por análise baseada em fatos
Sobre as acusações de tortura, a defesa alegou que não há provas de que Monique estivesse presente ou tivesse condições de impedir os fatos. Em diversos episódios citados pela acusação, a mãe estava fora de casa trabalhando, na praia ou em outras atividades, enquanto Henry permanecia sob os cuidados de terceiros.
A defesa sustentou que, se houve falha na proteção do filho, a discussão deveria ser sobre eventual negligência, e não sobre omissão penalmente relevante nos crimes de tortura. A acusação não comprovou o conhecimento de Monique sobre as agressões e a decisão de não agir.
Apelo emocional e pedido para ignorar a opinião pública
Em um momento emotivo, a advogada exibiu imagens de Monique com Henry, relembrando a relação entre mãe e filho e afirmando que a ré também perdeu a criança. A dor de Monique foi, segundo a defesa, ignorada durante a repercussão do caso, com a mãe se tornando alvo de julgamentos antecipados.
Ao final, a defesa pediu aos jurados que deixassem de lado a pressão da opinião pública e analisassem apenas as provas. Florence reiterou a ausência de comprovação de que Monique tivesse ciência das agressões sofridas por Henry e solicitou a absolvição da ré.
Monique e Jairinho são julgados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. As investigações apontam que o menino foi vítima de diversas agressões no apartamento onde vivia com a mãe e o então namorado. A acusação sustenta que Jairinho foi o autor das agressões e que Monique tinha conhecimento dos maus-tratos e deixou de agir.
Fonte: G1
