PGR Denuncia Desembargador e Parlamentares por Obstrução de Investigação
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra o desembargador federal do Espírito Santo, Macário Júdice Neto, o deputado estadual do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado estadual TH Joias. Eles são acusados de obstruir investigações relacionadas ao vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho.
A denúncia, com 22 páginas, detalha como Macário Júdice Neto, em sua função de relator no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), teria utilizado informações sigilosas para antecipar a deflagração da Operação Zargun, que resultou na prisão de TH Joias. O desembargador teria agido para beneficiar o núcleo político da organização criminosa.
A defesa do desembargador Macário Júdice Neto expressou surpresa com a denúncia, mas afirmou que o magistrado provará sua inocência. A defesa de Rodrigo Bacellar também negou as acusações, classificando a denúncia como baseada em “ilações e narrativas repetidamente refutadas”.
Desembargador Reconheceu Vazamento em Sessão Judicial
Macário Júdice Neto, preso desde dezembro do ano passado, admitiu em uma sessão de julgamento no TRF-2 que houve vazamento da operação policial. No entanto, ele atribuiu o ato a policiais envolvidos nas prisões e apreensões, e não à Justiça Federal.
“A operação vazou. E não foi na Justiça Federal. Eu fui contra a execução dos mandados junto com a Polícia Civil, não porque desconfio ou não confio na Polícia Civil. Porque, depois que três ou quatro se unem, vira comício”, declarou o desembargador na ocasião. A transcrição de seu voto foi incluída no relatório da Polícia Federal entregue à PGR.
Suspeitas de Vazamento e Encontro para Alertar Investigados
A investigação da Polícia Federal aponta que Macário Júdice Neto teria vazado informações da Operação Zargun. Uma das principais linhas de apuração envolve um suposto encontro do desembargador com o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, em um jantar na véspera da ação policial que levou à prisão de TH Joias.
Mensagens trocadas entre o assessor de Bacellar e TH Joias, e também entre Bacellar e o desembargador, embasaram a investigação. Após ser supostamente alertado, TH Joias teria apagado dados de seu celular e se desfeito de objetos em casa, antes da chegada da Polícia Federal.
Envolvimento de TH Joias com o Comando Vermelho
As investigações indicam que TH Joias teria utilizado seu mandato para favorecer o Comando Vermelho, intermediando a compra e venda de fuzis e drogas. Equipamentos antidrones também teriam sido adquiridos para impedir ações policiais em áreas dominadas pela facção.
TH Joias é acusado ainda de nomear para cargos na Alerj pessoas investigadas por envolvimento com o Comando Vermelho. Em dezembro, Bacellar foi preso em outra operação, a primeira fase da “Unha e Carne”, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Fonte: A Gazeta
