Disputa Interna no PL Define Candidato ao Governo do Rio
No estado considerado o berço político de Jair Bolsonaro, a formação da chapa majoritária da direita para as eleições de outubro no Rio de Janeiro está sendo definida pela força das máquinas partidárias, e não por indicação direta do clã. Apesar de Flávio Bolsonaro ocupar a presidência estadual do PL, a condução das negociações privilegiou a vontade da direção local do partido, liderada por Altineu Côrtes, e os representantes do PP e União Brasil.
A preferência inicial de Flávio Bolsonaro era pelo secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, para a disputa pelo governo. No entanto, a articulação política resultou na escolha de Douglas Ruas, deputado estadual licenciado e atual secretário de Cidades, visto como um nome alinhado a Altineu Côrtes. Essa decisão evidencia o peso do presidente do PL fluminense nas definições eleitorais.
A chapa montada, composta por Douglas Ruas (PL) para governador, Rogério Lisboa (PP) como vice, e os pré-candidatos ao Senado Cláudio Castro (PL) e Márcio Canella (União Brasil), não apresenta nomes classificados como “bolsonaristas raiz”. Ruas, por exemplo, tem sua trajetória mais associada à máquina administrativa de São Gonçalo, cidade governada por seu pai.
Articulação Política e Perfis dos Candidatos
Cláudio Castro, governador do estado, cuja candidatura ao Senado pode ser afetada pelo julgamento do caso Ceperj no TSE, tem sua carreira política mais ligada às estruturas partidárias do que a um alinhamento ideológico estrito. Já Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, é um nome de confiança do deputado Dr. Luizinho, líder do PP no Rio, e chegou a ser cogitado para compor a chapa de Eduardo Paes (PSD).
Márcio Canella, prefeito de Belford Roxo, é um aliado próximo de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Rueda, que transferiu seu domicílio eleitoral para o Rio, pretende ser candidato a deputado federal com o apoio de Canella. A união desses partidos (PL, PP e União Brasil) é significativa, pois juntos administram 51 dos 92 municípios fluminenses.
Estratégia e o Legado Bolsonarista
Apesar da configuração da chapa, dirigentes partidários afirmam que a escolha visa “unificar a política” e que os votos ideológicos do bolsonarismo devem vir naturalmente, com Ruas sendo o único representante desse espectro na majoritária. Há também a leitura de que esse movimento sinaliza um “amadurecimento” de Flávio Bolsonaro, distanciando-o do radicalismo associado ao pai.
Contudo, Jair Bolsonaro teria insistido para que ao menos uma posição na chapa fosse ocupada por alguém “forjado no bolsonarismo”, indicando a persistência da influência ideológica nas articulações políticas.
Fonte: G1
