PSOL pede encontros separados com Lula no Rio para evitar aliança com Eduardo Paes
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) no Rio de Janeiro se encontra em uma encruzilhada eleitoral. O partido, que integra a base de apoio ao governo federal, deseja capitalizar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado durante a campanha eleitoral. No entanto, enfrenta resistência em dividir palanques com Eduardo Paes (PSD), o candidato apoiado por Lula para o governo do Rio.
Dirigentes do PSOL já solicitaram uma reunião com a coordenação da campanha de Lula no Rio. O objetivo é definir agendas conjuntas que não coincidam com as de Eduardo Paes, mesmo que sejam em eventos de menor porte. A intenção é garantir a visibilidade dos candidatos da federação PSOL-Rede no terceiro maior colégio eleitoral do país.
Em conversas reservadas, membros do partido argumentam que a lealdade de quatro anos ao governo federal e o histórico de apoio em votações no Congresso justificam a retribuição de Lula com aparições ao lado dos candidatos da federação. A definição das agendas conjuntas ocorrerá após a convenção da federação PSOL-Rede, marcada para a próxima quarta-feira, 29.
Candidatura própria e críticas a Paes dificultam alinhamento
O PSOL lançou o vereador William Siri como candidato ao governo do Rio, mas ele aparece com menos de 1% nas pesquisas. O partido critica Eduardo Paes desde sua gestão como prefeito, o que torna a aliança considerada “incoerente” e “inviável” pelos seus dirigentes. O apoio formal a Paes, mesmo no segundo turno, está descartado por ora.
Além disso, o PSOL apoia a candidatura da deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado, que lidera as pesquisas. O partido deseja participar de agendas com a petista, reforçando a estratégia de alinhamento com figuras centrais da campanha de Lula.
O deputado Tarcísio Motta (PSOL) declarou: “A gente vai subir no palanque do Lula e da Benedita, mas obviamente no do Eduardo Paes nós não vamos subir”. Motta já foi adversário de Paes na eleição para a prefeitura do Rio em 2024, quando o atual prefeito foi reeleito com expressiva votação, enquanto Motta obteve 4,20%.
Proximidade de Paes com bolsonaristas inviabiliza apoio do PSOL
Outro fator que dificulta a aproximação entre PSOL e Eduardo Paes são os acenos do candidato a lideranças ligadas ao bolsonarismo. A vice na chapa de Paes é Jane Reis (MDB), irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e conhecido por sua proximidade com o clã Bolsonaro. O atual prefeito de Caxias, Netinho Reis, sobrinho dos irmãos Reis, participou recentemente de agenda com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na cidade, um importante colégio eleitoral no Rio de Janeiro.
Fonte: Estadão
