Nova Iguaçu: De "Cidade Perfume" a Berço de 7 Municípios e um "Vulcão" Mítico

Nova Iguaçu: De “Cidade Perfume” a Berço de 7 Municípios e um “Vulcão” Mítico

A Metrópole que Perfumava o Rio de Janeiro Nas décadas de 1930 e 1940, Nova Iguaçu era conhecida como a “Cidade Perfume”. O aroma inconfundível das floradas dos laranjais que cobriam seus morros anunciava a chegada à cidade, que se tornou o maior exportador de laranja do país. Essa atividade agropecuária, impulsionada por Nilo Peçanha, […]

Resumo

A Metrópole que Perfumava o Rio de Janeiro

Nas décadas de 1930 e 1940, Nova Iguaçu era conhecida como a “Cidade Perfume”. O aroma inconfundível das floradas dos laranjais que cobriam seus morros anunciava a chegada à cidade, que se tornou o maior exportador de laranja do país. Essa atividade agropecuária, impulsionada por Nilo Peçanha, foi o motor da economia fluminense em um período de crise.

A força da citricultura em Nova Iguaçu era impressionante. Em 1931, o município respondia por mais da metade da produção de laranja exportada pelo estado do Rio de Janeiro. A construção de um packing house em 1933 consolidou a cidade como um polo de exportação, com a fruta seguindo para destinos como Argentina e Estados Unidos.

Contudo, a Segunda Guerra Mundial, a partir de 1939, interrompeu o transporte marítimo, impactando severamente a economia local. A superprodução, sem escoamento, gerou uma crise que redesenhou o futuro da cidade.

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O Desmembramento e o Crescimento Populacional

Com o declínio da lavoura de laranjas, as terras dos antigos pomares foram loteadas em um período de intensa expansão demográfica na Baixada Fluminense. A população de Nova Iguaçu saltou de cerca de 51 mil habitantes no início dos anos 1930 para aproximadamente 300 mil em meados dos anos 1940. Os laranjais deram lugar a bairros, e o perfume da flor de laranjeira se dissipou.

Nova Iguaçu, que já foi um território de 1.489 km², é conhecida como a “Cidade Mãe da Baixada” por ter dado origem a sete novos municípios: Duque de Caxias (emancipado em 1943), Nilópolis e São João de Meriti (ambos em 1947), Belford Roxo e Queimados (em 1990), Japeri (em 1991) e Mesquita (em 1999). Atualmente, seu território é de cerca de 521 km², pouco mais de um terço do original.

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O “Vulcão” do Maciço do Mendanha: Mito e Realidade

Uma lenda popular atribuía ao Maciço do Mendanha a presença de um vulcão extinto, com cone e cratera preservados. Essa hipótese ganhou força na imprensa e se tornou uma atração turística. No entanto, pesquisas geológicas mais recentes, a partir de 2006, indicam que a rocha principal do maciço é o sienito, formado por um resfriamento de magma em profundidade. O que se observa é a raiz de um vulcão, uma intrusão subvulcânica erodida, e não sua estrutura superficial.

Um Oásis Verde em Meio à Metrópole

Apesar das transformações, Nova Iguaçu abriga tesouros naturais. O Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu, com 1.100 hectares de Mata Atlântica preservada, trilhas, áreas para banho e formações rochosas, foi o segundo parque municipal mais pesquisado na internet no Brasil em 2024. A entrada é gratuita e aberta ao público de terça a domingo.

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Outro importante remanescente de Mata Atlântica é a Reserva Biológica do Tinguá, com 24.812 hectares. Embora não aberta à visitação turística, a reserva é fundamental para o abastecimento de água de grande parte da Baixada Fluminense, abrigando a histórica estação de tratamento do Rio D’Ouro.

Nova Iguaçu, mesmo tendo perdido sua lavoura emblemática, seus territórios desmembrados e a mística do vulcão, se destaca por abrigar um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do estado e um parque de grande interesse nacional. A cidade prova que o que define um lugar vai além do que ele exporta, residindo naquilo que ele consegue preservar.

Fonte: G1

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