Direita do Rio em xeque: Inelegibilidade e prisões alteram cenário eleitoral
A pouco mais de um mês para o início oficial da campanha eleitoral, o cenário político da direita no Rio de Janeiro encontra-se em profunda instabilidade. Operações da Polícia Federal deflagradas recentemente abalaram as candidaturas de nomes fortes como o do ex-governador Cláudio Castro e do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, abrindo um vácuo de representatividade para o palanque do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no estado.
A prisão de Márcio Canella, ocorrida na terça-feira (data fictícia), por porte ilegal de fuzil, e a manutenção de sua detenção nesta quarta-feira (data fictícia), que o levará para Bangu 8, agravaram a situação. Canella é investigado, juntamente com outros envolvidos, em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de gasolina. A prisão, mais do que a investigação em si, é vista como um fator que torna a candidatura insustentável.
A situação se complica ainda mais devido à aliança entre o União Brasil e o PP, na qual Flávio Bolsonaro colocou sua mãe, Rogéria, como primeira suplente de Canella. A federação busca agora definir os próximos passos, enquanto nomes como Felipe Curi (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e o vereador Leniel Borel (PP) são ventilados para preencher as vagas ao Senado.
Felipe Curi e outros nomes despontam como alternativas ao Senado
Entre os quadros dos partidos que compõem a federação União Brasil-PP, a avaliação é que a detenção de Canella tornou sua candidatura inviável. O nome mais forte para ocupar uma das vagas ao Senado, caso a saída de Canella seja confirmada, é o de Felipe Curi, ex-secretário de Polícia Civil. Contudo, a ideia enfrenta resistência dentro do próprio PP, que o considera um puxador de votos importante para a Câmara dos Deputados.
Além de Curi, outras figuras são mencionadas. Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil e principal aliado partidário de Canella, teve seu domicílio eleitoral transferido para o Rio, mas possui vínculos com o Master, empresa investigada. Outro nome lembrado é o do vereador carioca Leniel Borel (PP), pai de Henry Borel. Embora possua projeção pública, avalia-se que ele ainda precise ampliar sua articulação política para uma campanha majoritária.
Cláudio Castro fora do jogo e Carlos Portinho favorito no PL
A situação de Cláudio Castro também é delicada. Além de já ser considerado inelegível por uma condenação no caso Ceperj, o ex-governador foi alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de um mês, envolvendo as investigações da Refit e do Master. Com isso, sua vaga ao Senado, que seria do PL, ficou indisponível.
Dentro do PL, a crítica é que o atraso na definição de substitutos favorece candidaturas de oposição. O senador Carlos Portinho, eleito suplente em 2018, surge como o favorito na disputa pela vaga do PL ao Senado, competindo com o deputado Carlos Jordy. Portinho conta com apoio de dezenas de prefeitos da sigla e herda votos ideológicos do bolsonarismo.
Possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir vaga no Senado
Uma hipótese que tem sido ventilada é a possibilidade de o próprio Flávio Bolsonaro assumir uma das vagas ao Senado, caso desista de disputar a Presidência. Essa seria uma alternativa caso ele enfrente crises insuperáveis em sua candidatura presidencial. No entanto, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, estaria convicto de que Bolsonaro não abrirá mão da missão de disputar o Planalto.
O cenário se completa com o fracasso do plano do PL para a sucessão de Castro no governo do estado, que visava colocar Douglas Ruas como governador interino. A Justiça determinou que o desembargador Ricardo Couto, do TJ-RJ, era o primeiro na linha sucessória. Mesmo com o abalo na direita, a chapa de Eduardo Paes (PSD) também sofreu um baque com operações da PF investigando desvios na família Reis, do MDB.
Fonte: G1
