Garotinho critica cenário eleitoral e gestão do Rio de Janeiro
O ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo estadual, Anthony Garotinho, criticou o cenário político fluminense, afirmando que a população não deveria ter que escolher entre candidatos ligados ao crime organizado. Em sabatina da BandNews TV, Garotinho declarou que foi “empurrado” para a disputa diante das opções apresentadas, que, em sua visão, representam o Comando Vermelho (CV) e a milícia.
“Se o Rio de Janeiro tiver que escolher entre o candidato do Comando Vermelho e o candidato da milícia, é o fim”, declarou Garotinho, comparando a situação atual à era de Sérgio Cabral e considerando o cenário atual ainda pior.
Garotinho também detalhou suas propostas para a segurança pública, incluindo a criação do “Bope 2.0”, um batalhão de ocupação permanente, e o combate ao roubo de carga e de veículos, além de propor reformas no sistema carcerário e no transporte público.
Propostas para Segurança Pública
O pré-candidato propôs a criação do Bope 2.0, um batalhão com 1.500 homens focado em ocupação permanente de áreas de risco, com o objetivo de combater o tráfico de drogas de forma mais eficaz. Ele também destacou a necessidade de combater o roubo de carga, não apenas os ladrões, mas principalmente os receptadores, que, segundo ele, são “grandes empresários”.
Em relação ao roubo e furto de veículos, Garotinho criticou o que chamou de “mecanismo de roubo” envolvendo policiais e criminosos na recuperação de carros, onde seguradoras pagariam valores baixos para agilizar o processo. Ele defendeu o fim dessa prática.
Reforma do Sistema Prisional
Garotinho apontou a superlotação do sistema carcerário do Rio de Janeiro, com 45 mil presos para 28 mil vagas, como um grave problema. Ele criticou a gestão atual e propôs uma reestruturação completa, com mais policiais penais e o fim de práticas como a “cesta de custódia”, que, segundo ele, gera corrupção e permite a venda de produtos dentro das celas.
Inspirado no modelo de El Salvador, Garotinho sugeriu que presos tenham a opção de trabalhar. “O preso tem uma opção. Ou ele vai trabalhar, ou ele vai ficar preso junto com todo mundo”, explicou, ressaltando que “presídio não é hotel” e criticando o número de refeições oferecidas aos detentos.
Mobilidade Urbana e Unificação de Polícias
O pré-candidato criticou a falta de investimento em transporte público, citando a Supervia como exemplo de concessionária que não cumpriu com suas obrigações. Ele propôs a fiscalização mais rigorosa das agências reguladoras e a revitalização do sistema de trens, que hoje transporta menos da metade de sua capacidade.
Garotinho apresentou uma alternativa para a Linha 3, defendendo o transporte aquaviário com lanchas e barcas de alta velocidade, ligando Rio, Niterói e São Gonçalo, o que seria mais barato que a construção de ferrovias ou metrôs. Ele também defendeu a unificação e integração das polícias, citando a experiência das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs) criadas em sua gestão.
Fonte: G1
