Freixo lança “Viver é Perigoso” e aponta raízes políticas da crise de segurança no Rio
O ex-deputado estadual e federal Marcelo Freixo esteve em Petrópolis para lançar seu livro “Viver é Perigoso Minha Travessia no Rio”. Na obra, Freixo narra sua trajetória pessoal e política, abordando as décadas recentes do estado, o avanço das milícias e a influência do crime organizado nas estruturas estatais.
O livro, descrito pelo autor como “fundamental para entender o Rio de Janeiro de hoje”, não foca em sua figura, mas sim na realidade complexa e muitas vezes oculta do estado. Freixo detalha sua infância na periferia de Niterói, sua atuação como defensor dos direitos humanos e sua carreira parlamentar, marcada pelo enfrentamento a grupos criminosos e esquemas de corrupção.
Durante sua visita à redação do Diário de Petrópolis, Freixo também comentou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados, expressando otimismo com um possível crescimento do campo democrático no Rio de Janeiro nas eleições de outubro. Ele destacou a importância de compreender as origens políticas da crise de segurança pública para combatê-la efetivamente.
Milícias e a transformação do crime organizado
Marcelo Freixo ressaltou que o surgimento das milícias, no início dos anos 2000, alterou profundamente a dinâmica da criminalidade no Rio de Janeiro. Ele explicou que, diferentemente de outras formas de crime, as milícias se originaram dentro das estruturas de poder do estado.
Atualmente, a venda de drogas representa apenas cerca de 10% da arrecadação dessas organizações. Os 90% restantes provêm da exploração de serviços essenciais, como gás, água e internet clandestina, em áreas sob seu domínio. Freixo enfatizou que a retomada desses territórios pelo Estado é crucial para qualquer política de segurança pública eficaz.
Críticas à regulamentação de jogos e perspectivas econômicas
O ex-deputado também criticou a regulamentação de máquinas eletrônicas de apostas pelo então governador Cláudio Castro, argumentando que o jogo é frequentemente utilizado por organizações criminosas para lavagem de dinheiro. Ele defende que o fortalecimento da democracia e da segurança pública passa pelo enfrentamento direto dessas estruturas.
Ao abordar as perspectivas econômicas do estado, Freixo mencionou o potencial de crescimento do turismo no Rio de Janeiro, lembrando sua experiência como presidente da Embratur. Ele concluiu afirmando que o estado possui uma força cultural extraordinária, mas necessita de um governo que não seja eleito pelo crime para prosperar.
Fonte: Diário de Petrópolis
