Ramal Silvestre do Bonde de Santa Teresa retoma circulação após duas décadas
O icônico Ramal Silvestre do Bonde de Santa Teresa, um trecho histórico da região central do Rio de Janeiro, voltou a operar nesta quinta-feira (11), após mais de 20 anos desativado. A linha, que conecta a Rua Almirante Alexandrino ao ponto final do bondinho, tem um percurso estimado de 30 minutos e passou por extensas obras de revitalização ao longo do último ano.
A operação será iniciada em uma fase de testes, com circulação de bondes em horários específicos: às 10h, 11h, 14h e 15h. Essa etapa é crucial para ajustes operacionais, treinamento de motorneiros e para orientar moradores e visitantes sobre as novas condições de circulação do bonde.
A expectativa é que, após a avaliação dos testes em junho, a grade horária completa seja definida e divulgada em julho, contemplando os horários de maior demanda. A secretária de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem, destacou a importância da retomada para a expansão do sistema e o acesso a novos pontos turísticos.
Revitalização completa e impacto esperado
O Ramal Silvestre recebeu cerca de 667 toneladas de novos trilhos, 27,8 mil metros quadrados de pavimentação, um novo sistema de drenagem pluvial e quase seis quilômetros de rede aérea requalificada. Com aproximadamente 5,84 quilômetros de extensão, a obra visa elevar os padrões de segurança e confiabilidade da operação.
A revitalização completa do ramal tem a estimativa de beneficiar mais de 40 mil pessoas, incluindo moradores e turistas. A secretária Priscila Sakalem ressaltou que a linha poderá ser integrada futuramente ao Trem do Corcovado, fortalecendo ainda mais o turismo na cidade.
Motorneira inspira e moradores celebram
A primeira e única motorneira do Bonde de Santa Teresa, Márcia de Souza, expressou sua satisfação em conduzir o Ramal Silvestre e espera inspirar outras mulheres a seguirem a profissão. “É uma satisfação enorme poder operar, pela primeira vez, o Ramal Silvestre. Isso requer muito treinamento, muita responsabilidade e, acima de tudo, gostar do que faz”, declarou.
Moradores expressaram grande entusiasmo com a notícia. Glória Ferreira, moradora de Santa Teresa há anos, celebrou a volta do transporte que marcou sua adolescência e que agora poderá ser compartilhado com seu filho. “Essa retomada representa muito, porque passei a minha adolescência andando de bonde. Com esse retorno, o meu filho vai conhecer as coisas que ele não viveu, e eu vivi”, afirmou.
Conquista para a comunidade e o turismo
Alexandre Cassiano, guia de turismo e morador, considerou a reabertura uma conquista para quem depende do sistema diariamente. “Para nós, moradores, principalmente para os que moram no Morro dos Prazeres ou um pouquinho mais para baixo, é sensacional”, disse.
Osmar Calixto, vice-presidente da Associação do Polo Gastronômico, Turístico e Cultural de Santa Teresa (AmeSanta), destacou a importância histórica e turística do percurso. “A chegada do Bonde de Santa Teresa até o Silvestre após décadas, além de restaurar todo o trajeto original centenário, vai proporcionar ao turista uma experiência ímpar. É um percurso por dentro da Mata Atlântica”, comentou.
Fonte: O Globo
