Morre Orlando Senna, um dos grandes nomes do Cinema Novo
O cinema brasileiro perde um de seus mais importantes expoentes. Orlando Senna, cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural baiano, faleceu nesta terça-feira (9) aos 86 anos. A notícia foi confirmada por sua sobrinha, Indra Rocha, através das redes sociais. Senna deixou um legado inestimável para a cultura nacional, com uma carreira que atravessou décadas de produção artística e atuação em importantes cargos públicos.
Reconhecido nacional e internacionalmente, Senna é lembrado especialmente pela codireção do clássico “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975), ao lado de Jorge Bodanzky. O filme, que retrata a complexa realidade da Amazônia durante a construção da Transamazônica, é um marco do audiovisual brasileiro e chegou a enfrentar censura durante o regime militar, refletindo o contexto político da época.
Nascido em 1940, no distrito de Afrânio Peixoto, em Lençóis, na Chapada Diamantina, Orlando Senna construiu uma carreira sólida e multifacetada. Sua atuação esteve intrinsecamente ligada ao movimento do Cinema Novo, convivendo e colaborando com figuras emblemáticas da cultura brasileira, como Jorge Amado, Gabriel García Márquez e Glauber Rocha.
Trajetória Marcante no Cinema e na Cultura
A carreira de Orlando Senna no audiovisual começou como assistente de direção de Roberto Pires no filme “Tocaia no Asfalto” (1962). Ainda na Bahia, dirigiu curtas-metragens e peças de teatro, participando ativamente da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e do Centro Popular de Cultura. No final dos anos 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde dirigiu seu primeiro longa-metragem, “A Construção da Morte” (1969).
Atuação Internacional e Gestão Pública
Senna também expandiu sua influência para o cenário internacional, com uma passagem por Cuba nos anos 1990, onde atuou como professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños. Sua atuação na gestão pública foi igualmente relevante, ocupando cargos como subsecretário do Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e consultor de roteiro em projetos como “Glauber, o filme – Labirinto do Brasil” (2004).
Em 2003, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e, posteriormente, dirigiu a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), participando da criação da TV Brasil. Sua gestão foi marcada pelo compromisso com a democratização da cultura e a valorização das narrativas brasileiras, conforme destacado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) em nota de pesar.
Legado para o Cinema Brasileiro
A Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) lamentou profundamente a perda, ressaltando o compromisso de Senna com a democratização cultural, a defesa do cinema nacional e a valorização das identidades brasileiras. A entidade o descreveu como um dos mais importantes pensadores do audiovisual no país e um nome fundamental do Cinema Novo. Ao longo de sua carreira, participou de mais de 30 produções, contribuindo decisivamente para o fortalecimento das políticas públicas do setor e para a formação de novas gerações de cineastas.
Orlando Senna deixa um legado vivo em suas obras, em seu pensamento e na inspiração que proporciona para a cultura brasileira. Sua partida representa uma grande perda para o cinema e para a arte do país.
Fonte: G1
