Mulheres Negras Tomam a Orla de Copacabana em Celebração e Luta
A 12ª edição da Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro transformou a orla de Copacabana em um palco vibrante de cultura, ancestralidade e música neste domingo (26). Com o tema “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e pelo bem viver”, o evento celebrou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela.
A mobilização, parte do “Julho das Pretas”, reafirmou a importância da luta por democracia, justiça racial e o direito ao “bem viver”, reunindo mulheres de diversas partes do estado e de outros estados em um ato de união e empoderamento. O evento ressalta a necessidade de respeito e valorização da mulher negra na sociedade.
Participantes destacam o sentimento de pertencimento e acolhimento. “Quando eu venho para cá, encontro a minha família”, compartilha Paola Belchior, de 42 anos, que participa há 8 anos. “Aqui, o que mais se vê são as pessoas se abraçando, sorrindo. As mulheres se encontram nesse abraço e aconchego”, relata, emocionada com a importância de trazer sua filha para vivenciar a experiência e entender sua identidade negra.
Cultura e Empreendedorismo em Destaque
A programação contou com apresentações musicais de artistas negras, como Afrolaje, Angoleiras e o grupo Maracatu Baque Mulher do Rio de Janeiro, que celebram a força e a resistência feminina através da arte. Aline Valentin, artista e professora de dança, ressalta que a luta pelos direitos da mulher negra é fundamental, pois elas estão na base da pirâmide social, enfrentando maiores desafios.
Na dispersão do evento, uma feira reuniu cerca de 60 empreendedoras negras, oferecendo uma vasta gama de produtos, desde biojoias e moda afro até saboaria artesanal e aromaterapia. A gastronomia também foi um ponto alto, com um cardápio inspirado na rica tradição afro-brasileira, preparado por cinco afroempreendedoras de comunidades do Rio.
Um Chamado por Respeito e Bem Viver
Adriana Rangel, pedagoga e assistente social de 53 anos, reforça a importância do movimento para o empoderamento e a politização das mulheres negras. “É maravilhoso ver essa união de várias mulheres negras de vários municípios e outros estados. É uma energia maravilhosa”, comemora.
O desejo expresso pelas participantes é claro: ser respeitada no trabalho e como ser humano. “A gente tem o direito de viver e de criar os nossos valores. Porque não temos tido esse direito. Esse é um sonho para mim, para a minha filha e para todas as mulheres negras”, afirma Paola Belchior, ecoando o sentimento de busca por um “bem viver” digno.
A Marcha das Mulheres Negras é uma organização coletiva encabeçada pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro (FEM Negras-RJ).
Fonte: G1
