Governador em Exercício do Rio Exonera Aliados de Cláudio Castro e Promove Ampla Auditoria no Primeiro Escalão
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto, que está há 20 dias no comando do governo do estado, iniciou uma profunda e acelerada reformulação na estrutura do Palácio Guanabara. A ação visa desmontar o núcleo político herdado do ex-governador Cláudio Castro e consolidar uma nova base de poder em meio à crise institucional.
A ofensiva ganhou mais ritmo nos últimos dias com a publicação de um decreto que determina uma auditoria em todas as secretarias e órgãos da administração direta e indireta, incluindo estatais. O objetivo é verificar a legalidade de contratos e a adequação de despesas, visando a redução do déficit público, estimado em mais de R$ 18 bilhões.
Neste movimento de reestruturação, o procurador do estado Flávio Willeman foi nomeado para a Casa Civil, substituindo Marco Antônio Simões, que agora chefia o gabinete. A exoneração de Rodrigo Abel, considerado um fiel escudeiro de Cláudio Castro, marca o fim da presença do último integrante do núcleo político mais próximo do ex-governador no primeiro escalão.
Auditoria Geral e Restrições Orçamentárias
O decreto publicado por Couto estabelece um prazo curto e improrrogável de 15 dias úteis para que os titulares das pastas apresentem relatórios detalhados sobre projetos e contratos firmados nos últimos 12 meses, além da quantidade de servidores em cargos comissionados e terceirizados. Essas informações serão analisadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) em 45 dias.
A medida também veda a realização de novas licitações ou o início da execução de novos contratos sem a prévia identificação de dotação orçamentária suficiente. Essa estratégia visa controlar a publicação de inúmeras licitações percebida pela nova equipe de governo.
Mudanças no Primeiro Escalão e Estratégia Política
A reformulação já atingiu áreas sensíveis. No Rioprevidência, Nicholas Cardoso foi exonerado e substituído pelo procurador Felipe Derbli de Carvalho Baptista. Para a Procuradoria-Geral do Estado, circula o nome de Bruno Teixeira Dubeux, aliado de Willeman, que substituiria Renan Miguel Saad, indicado por Castro.
Na área de segurança, o delegado Roberto Lisandro assumiu interinamente a Secretaria de Governo, e a pesquisadora Bárbara Caballero de Andrade foi nomeada para o Instituto de Segurança Pública (ISP). A Controladoria-Geral do Estado agora é dirigida por Bruno Campos Pereira.
Apoio Institucional e Resistências
Ricardo Couto tem recebido apoio institucional, como o expresso pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF, que afirmou que o governador em exercício possui “apoio incondicional” da Corte para conduzir o estado. A decisão do STF de que o presidente da Alerj não entrará na linha sucessória garante Couto no cargo até a eleição.
No entanto, fontes indicam que o governador em exercício enfrenta resistência para atrair nomes de sua confiança para o primeiro escalão, com muitos profissionais do meio jurídico demonstrando cautela em assumir funções em um governo com horizonte incerto.
Fonte: g1.globo.com
