STF decide hoje futuro do governo do RJ em novo capítulo da intervenção da Corte na política fluminense

STF decide hoje futuro do governo do RJ em novo capítulo da intervenção da Corte na política fluminense

STF em foco: A Corte e a política do Rio de Janeiro O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a ser protagonista na política do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (8), com o julgamento que definirá como será escolhido o futuro governador-tampão do estado. A decisão dos ministros determinará se o comando do Palácio Guanabara será […]

Resumo

STF em foco: A Corte e a política do Rio de Janeiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a ser protagonista na política do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (8), com o julgamento que definirá como será escolhido o futuro governador-tampão do estado. A decisão dos ministros determinará se o comando do Palácio Guanabara será preenchido por eleição direta, com voto popular, ou indireta, escolhida pelos deputados estaduais.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, já se manifestou, defendendo a realização de eleições diretas. Este não é um episódio isolado da influência do STF nos assuntos fluminenses; a Corte já atuou em 2020 sobre operações policiais em comunidades e, mais recentemente, no caso dos irmãos Brazão, condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco.

O ministro Flávio Dino, em seu voto favorável à eleição direta, ressaltou a dimensão prospectiva da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que levou à condenação do ex-governador Cláudio Castro. Dino argumentou que a decisão visa o saneamento institucional do Rio de Janeiro, diante do grave contexto político.

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A disputa pela sucessão de Cláudio Castro

A polêmica atual gira em torno da reclamação apresentada pelo PSD-RJ, partido do ex-prefeito Eduardo Paes, pré-candidato ao governo. O partido pede a realização de eleições diretas, argumentando que a renúncia de Castro na véspera do julgamento no TSE foi uma manobra para evitar tal desfecho, que poderia ocorrer em caso de cassação.

A Constituição fluminense prevê eleição indireta em caso de vacância dupla dos cargos de governador e vice-governador, desde que não haja condenação eleitoral. O estado está sem vice-governador desde o ano passado, com a renúncia de Thiago Pampolha. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, reforçou que a vacância decorrente de decisão da Justiça Eleitoral, como no caso de Castro, não se coaduna com a realização de eleições indiretas.

Intervenção branca? O papel do TJ-RJ

Outro ponto em discussão é a permanência do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), como governador interino até a eleição do titular. Essa sugestão, feita pelo ministro Alexandre de Moraes, é vista por alguns políticos como uma “intervenção branca” do STF. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) deve eleger um novo presidente ainda este mês, cargo que, pela linha sucessória, estaria à frente de Couto.

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O governo estadual está sob responsabilidade de Couto pois o cargo de presidente da Alerj está vago desde dezembro, com a prisão de Rodrigo Bacellar. Embora o deputado Guilherme Delaroli (PL) tenha assumido provisoriamente a presidência da Casa, ele não pode assumir o Palácio Guanabara por não ser o titular. A eleição para a presidência da Alerj ocorrerá após a cassação de Bacellar pelo TSE, no mesmo processo que condenou Castro.

Argumentos e prazos para as eleições

O PSD defende a manutenção de Couto no cargo, possivelmente vislumbrando a eleição do deputado Douglas Ruas (PL) para a presidência da Alerj. Moraes, por sua vez, argumentou que as “circunstâncias anômalas” na chefia do Legislativo estadual exigem a permanência de Couto para garantir a segurança jurídica até a realização de eleições diretas suplementares.

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O grupo de Paes também alega que Ruas poderia usar a máquina pública nas eleições de outubro, similarmente ao que o TSE apontou sobre Castro em 2022. Há ainda a possibilidade de o STF manter Couto até outubro, considerando as dificuldades logísticas para a realização de duas eleições (suplementar e ordinária) em um curto intervalo.

O STF também analisa a lei estadual que regula eleições indiretas em casos de dupla vacância por causas não eleitorais. Os ministros já concordaram com o voto secreto na Alerj para evitar a influência do crime organizado e, em sua maioria, com o prazo de desincompatibilização de um dia após a vacância dos cargos. O julgamento, no entanto, não foi concluído.

Fonte: G1

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