PF investiga suposta influência da Refit na Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro durante gestão de Castro
A Polícia Federal (PF) aponta que a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro, teria funcionado como uma “extensão” da empresa Refit. A investigação sugere que a companhia buscou influenciar nomeações e decisões importantes na pasta, visando obter vantagens fiscais indevidas.
Documentos da PF indicam que servidores da secretaria teriam atuado para facilitar processos de empresas favorecidas pela Refit e, simultaneamente, dificultar a tramitação de processos de concorrentes. Um auditor fiscal é citado como integrante desse esquema, que envolveria a intermediação de relações pessoais e operacionais com altos escalões da Fazenda.
O ex-governador Cláudio Castro foi alvo de busca e apreensão pela PF nesta manhã, com apreensão de seu celular e tablet. A investigação, que se desdobra da ADPF 635/RJ, conhecida como “ADPF das Favelas”, busca desarticular organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado. Conforme informação divulgada pela PF.
Desembaraço de processos e troca de procurador-geral sob suspeita
A investigação da PF levanta suspeitas sobre a nomeação do ex-secretário de Fazenda, Pasqual, e a troca do procurador-geral do estado. Segundo a representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador pode ter sido influenciado pela Refit nessas decisões. O antecessor de Pasqual na Fazenda, Leonardo Lobo, teria sido exonerado por se insurgir contra o esquema.
Refit nega irregularidades e desconhecimento de investigado
Em nota, a Refit declarou que não conhece o investigado Álvaro Barcha Cardoso e negou ter sido beneficiada por iniciativas tributárias promovidas por Castro. A empresa também refuta ter falsificado declarações fiscais para obter vantagens. A Receita Federal considera o dono da Refit, Ricardo Magro, o maior devedor contumaz do Brasil, com débitos superiores a R$ 26 bilhões.
Bloqueio de R$ 52 bilhões e busca por Ricardo Magro
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões do grupo Refit devido a suspeitas de fraude fiscal. Ricardo Magro, dono da empresa, é alvo de mandado de prisão por fraudes tributárias, mas encontra-se foragido do Brasil, com seu nome incluído na difusão vermelha da Interpol. A operação visa apurar a atuação de organizações criminosas e suas conexões com o poder público no Rio de Janeiro.
Fonte: G1
