Reabertura Emociona Moradores da Ilha do Governador
O Santuário Nossa Senhora d’Ajuda, um dos mais antigos e queridos monumentos da Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro, celebrou sua reabertura na última sexta-feira (15). Após cinco meses de interdição, o templo, carinhosamente apelidado de “a igreja mãe de todos os insulanos”, voltou a acolher fiéis e a comunidade, marcando um momento de profunda emoção e esperança.
Construído em 1710, o santuário, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), enfrentava graves problemas estruturais há anos. A longa batalha para a viabilização de recursos e a realização das obras culminou em sua renovação, garantindo sua preservação e o retorno de sua importância como centro espiritual e afetivo para os moradores. A cerimônia de reabertura contou com uma missa celebrada pelo Cardeal Arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, reunindo a comunidade que acompanhou cada etapa da restauração.
A deterioração do templo era uma preocupação crescente, levando a uma ação civil pública em 2009 e, posteriormente, a uma decisão judicial em 2018 que determinou providências urgentes para sua restauração. Com a chegada do apoio financeiro necessário, as obras foram executadas sob a gestão do pároco Diogo Espagolla, devolvendo ao santuário sua glória e funcionalidade.
Intervenções e Novo Espaço Cultural
As intervenções realizadas incluíram a recuperação interna do santuário, a modernização das instalações elétricas e a implementação de um sistema de combate a incêndio. Esta última medida é particularmente simbólica, considerando que o templo teve seu interior e telhado destruídos por um incêndio em 1871.
Além da restauração estrutural, um anexo ao lado da igreja histórica foi transformado no museu e centro de exposição permanente “Herança D’Ajuda”. Este novo espaço integra um projeto de resgate e preservação do patrimônio cultural, histórico, artístico e espiritual da comunidade paroquial, aberto à visitação de todos.
Sentimento de Dever Cumprido e Pertencimento
O pároco Diogo Espagolla expressou o sentimento de “dever cívico cumprido” e grande alegria com a conclusão das obras. Ele ressaltou a importância do santuário como um “testemunho e estímulo constante” para a valorização da história do Rio de Janeiro e da Ilha do Governador, além de ser um local de vivência da comunhão fraterna e de fortalecimento da revitalização do bairro.
Para moradores como a pedagoga Milena Maria, o Santuário Nossa Senhora d’Ajuda transcende o valor histórico e religioso, sendo parte intrínseca da trajetória de suas famílias e da comunidade. “Na minha própria família, minha mãe fez a Primeira Eucaristia e se casou neste Santuário. Eu também recebi meus sacramentos aqui e hoje sou catequista da paróquia. Meus filhos e meus sobrinhos foram batizados aqui”, compartilhou.
A psicanalista Elaine Silva, moradora do bairro desde o nascimento, resumiu o sentimento compartilhado por muitos: “É onde a história da minha família se mistura com a história do bairro. É o lugar onde a gente chorou, sorriu, pediu ajuda e agradeceu. Ter o Santuário reaberto é devolver à comunidade um pedaço do seu coração”. Ela enfatizou que a reabertura representa a valorização da fé, da história e do afeto que atravessam gerações.
Três Séculos de História e Resistência
Localizado na Praça Calcutá, na Freguesia, o Santuário Nossa Senhora d’Ajuda tem uma história rica que remonta a 1710, erguido com o apoio de devotos portugueses e pescadores. Ao longo de mais de três séculos, o templo resistiu a incêncios, saques e passou por diversas reconstruções.
Tombado pelo patrimônio histórico desde 1938, o santuário foi restaurado e reaberto pela primeira vez em 1990. Agora, após mais uma recuperação significativa, o Santuário Nossa Senhora d’Ajuda retoma sua missão de acolher fiéis e preservar a memória de um povo, oferecendo um refúgio de fé, esperança e pertencimento em seu altar centenário.
Fonte: G1
