Avança reestruturação administrativa no Rio de Janeiro com novas demissões
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, publicou uma nova lista com 94 exonerações de servidores em cargos de confiança, afetando a Secretaria de Governo, Casa Civil e o Gabinete do Governador. Esta ação faz parte de um esforço contínuo de cortes que já totaliza 638 demissões nesses setores, com o objetivo de gerar uma economia mensal significativa para os cofres estaduais.
A estimativa do governo é que as demissões resultem em uma redução de gastos de R$ 10 milhões por mês na folha de pagamento. As medidas atingem principalmente cargos comissionados, incluindo aqueles ocupados por ex-candidatos a vereador que não foram eleitos e foram designados para funções distantes de suas cidades de origem.
A intensificação da reestruturação administrativa teve início com a posse de Ricardo Couto em 23 de março, após a renúncia de Cláudio Castro. O governador tem sinalizado a busca por mudanças profundas na máquina pública e a revisão de contratos considerados suspeitos ou desnecessários, sob o lema de um “choque de transparência”.
Combate a desperdícios e irregularidades é o foco principal
Especialistas apontam que a amplitude das exonerações visa combater focos de desperdício e possíveis práticas irregulares. Levantamentos internos indicam que o número de cargos ligados às secretarias de Governo e Casa Civil, que era de aproximadamente 4 mil, deve ser reduzido para cerca de 1,6 mil, representando uma diminuição de quase dois terços.
A reestruturação também mira os chamados “servidores fantasmas”, funcionários que não estariam exercendo suas funções efetivamente. Somente as 554 exonerações divulgadas na semana passada, incluindo 93 na sexta-feira, devem gerar uma economia mensal de quase R$ 8 milhões.
O impacto financeiro positivo é celebrado pela equipe econômica do governo, que projeta um cenário mais favorável para as contas públicas. Ricardo Couto reafirmou o “compromisso absoluto com a legalidade, transparência e a responsabilidade fiscal”, considerando inadmissível a manutenção de pessoal sem função definida.
Secretaria de Governo e Casa Civil são os mais impactados
A Secretaria de Governo e a Casa Civil foram os órgãos mais afetados pelas exonerações. O Gabinete do Governador e diversas subsecretarias e órgãos subordinados também foram alvos de cortes, extinções ou reduções drásticas de quadro.
Três subsecretarias da Casa Civil foram extintas: a Subsecretaria Adjunta de Projetos Especiais, a Subsecretaria de Gastronomia e a Subsecretaria de Ações Comunitárias e Empreendedorismo. A descontinuidade dessas estruturas e de seus órgãos subordinados faz parte de um pacote de ajustes considerado inédito na região.
A medida gera repercussão entre servidores e entidades de classe, que cobram clareza nos critérios de seleção e transparência na auditoria. Analistas, no entanto, veem a ação como necessária, dada a alta concentração de funcionários “fantasmas” e indicações políticas no estado.
Recriação da Subsecretaria-Geral e novos gestores marcam a reforma
Em paralelo às demissões, o governo recriou a Subsecretaria-Geral, vinculada à Casa Civil, sob o comando do procurador Sérgio Pimentel. A nomeação de procuradores para funções estratégicas visa reforçar o caráter técnico das nomeações.
O secretariado foi completado com a nomeação de gestores para áreas como Casa Civil, Secretaria de Governo, Controladoria-Geral do Estado, Instituto de Segurança Pública, RioPrevidência e Cedae. Nove gestores já foram indicados desde março para cargos-chave.
Fontes ligadas à Justiça indicam que as ações sinalizam um rompimento com antigas práticas de indicações políticas sem critério técnico. Sindicatos e associações de servidores, por outro lado, pedem cautela e que os cortes considerem o bom funcionamento do serviço público.
“Choque de transparência”: auditoria abrange 6,7 mil contratos
O “choque de transparência”, promessa de campanha de Ricardo Couto, foca na auditoria de mais de 6,7 mil contratos e convênios da administração estadual, que somam cerca de R$ 81 bilhões.
O levantamento busca detalhar responsáveis, comparar preços, identificar sobrepreços e cruzar dados de pagamentos e entregas. A auditoria abrangerá a administração central, órgãos indiretos, fundações e empresas estatais, superando iniciativas semelhantes de outros entes federativos.
A população do Rio de Janeiro acompanha a expectativa de que a auditoria revele irregularidades em obras paradas, serviços terceirizados e convênios com organizações sociais de saúde. A análise de contratos é considerada excepcional e já motivou o reforço de equipes de fiscalização e investigação.
Os primeiros relatórios devem ser apresentados ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público ainda neste semestre. O governo promete divulgar periodicamente o andamento das auditorias e abrir canais para denúncias de irregularidades, inspirando debates em câmaras municipais sobre medidas semelhantes.
Fonte: G1
