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Pré-candidato no RJ, ex-secretário de Polícia Civil expandiu promoções por bravura e se autopromoveu

Gestão de Felipe Curi na Polícia Civil do RJ: Explosão em Promoções por Bravura e Autopromoção Felipe Curi, delegado e pré-candidato a deputado federal pelo PP, tem sido alvo de críticas devido a um expressivo aumento nas promoções por atos de bravura durante sua gestão como Secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de […]

Resumo

Gestão de Felipe Curi na Polícia Civil do RJ: Explosão em Promoções por Bravura e Autopromoção

Felipe Curi, delegado e pré-candidato a deputado federal pelo PP, tem sido alvo de críticas devido a um expressivo aumento nas promoções por atos de bravura durante sua gestão como Secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro. O número de promoções concedidas sob sua liderança é significativamente maior do que a de seus antecessores, levantando questionamentos sobre os critérios e a motivação por trás dessa política.

Nomeado em setembro de 2024 e no cargo até março deste ano, Curi se licenciou para focar em sua pré-campanha eleitoral. Sua atuação na pasta, marcada por operações de grande repercussão, como a letal operação nos complexos da Penha e do Alemão, é vista por alguns como um ativo eleitoral, mas a forma como as promoções por bravura foram concedidas gera controvérsia.

Um relatório elaborado pelo gabinete do deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) e enviado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro aponta que, em um ano e meio, foram concedidas 1.095 promoções por bravura, uma média de quase duas por dia. Esse número supera em quase 40% a soma dos seis secretários que o precederam desde a criação da Secretaria em 2019.

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Aumento nas Promoções e Críticas de Policiais

O levantamento indica que a gestão de Curi concedeu um número recorde de promoções por bravura. Policiais ouvidos pela reportagem apontam que o aumento pode ter sido utilizado como instrumento de poder e para a formação de um grupo de aliados dentro da corporação, além de servir como um ativo eleitoral.

A lei complementar nº 204/2022, alterada durante a gestão de Allan Turnowski, é apontada como um fator que facilitou o controle político sobre a carreira policial, ao consolidar critérios subjetivos e promoções automáticas. “A promoção por bravura controla as progressões na carreira a partir da cúpula. O policial não consegue ser promovido por antiguidade nem por mérito, só consegue se tiver relações com a chefia, o que é injusto e alimenta a divisão em grupos de poder dentro da própria polícia”, afirma Serafini.

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Autopromoção e Impacto Financeiro

Um dos pontos mais controversos é a autopromoção de Felipe Curi. Em 25 de novembro de 2025, enquanto estava afastado do cargo (de férias), ele foi beneficiado por uma promoção por bravura, assinada pela secretária em exercício. Essa promoção concedeu a ele “o acréscimo de mais 20% do cargo efetivo, uma vez que ocupa a última classe de sua categoria funcional”.

Curi nega a autopromoção, alegando que estava de férias e que o processo foi conduzido por sua substituta imediata. Ele também afirma que a promoção foi concedida a todos os policiais envolvidos em uma operação específica e que não traz retorno financeiro imediato, apenas para fins de assentamentos funcionais. No entanto, dados do portal da Transparência do Governo do Rio de Janeiro indicam um aumento nos seus rendimentos brutos a partir de novembro de 2025, superando o teto constitucional do funcionalismo público.

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Recomendações e Posição dos Sindicatos

O relatório do gabinete de Serafini recomenda ao Ministério Público do Rio de Janeiro a auditoria de todas as promoções desde 2019, a quebra de sigilo de processos e o ajuizamento de possíveis ações de improbidade administrativa. Para a Procuradoria Geral do Estado, recomenda a suspensão de pagamentos indevidos e a anulação de atos de autopromoção.

Sindicatos da categoria criticam a concessão de promoções por bravura sem critérios claros e transparência. O Sindelpol, de delegados da Polícia Civil, defende a preservação do instituto, mas ressalta a necessidade de critérios objetivos e transparentes. O delegado aposentado Orlando Zaccone, da OAB-RJ, aponta que a banalização da promoção por bravura impede que a maioria dos policiais consiga ascender na carreira por antiguidade ou merecimento, defendendo a transformação da promoção por antiguidade em automática por tempo de serviço.

Fonte: FOLHAPRESS

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