Polícia Federal Investiga Infiltração do Comando Vermelho na Política do Rio e Busca por Aliados e Documentos Sigilosos

Polícia Federal Investiga Infiltração do Comando Vermelho na Política do Rio e Busca por Aliados e Documentos Sigilosos

PF Investiga Infiltração do CV na Política do Rio A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar a suspeita de infiltração do Comando Vermelho (CV) em órgãos públicos do Rio de Janeiro. A apuração envolve indícios de que a facção criminosa busca aliados políticos, proteção institucional e acesso a documentos sigilosos ligados à Justiça […]

Resumo

PF Investiga Infiltração do CV na Política do Rio

A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar a suspeita de infiltração do Comando Vermelho (CV) em órgãos públicos do Rio de Janeiro. A apuração envolve indícios de que a facção criminosa busca aliados políticos, proteção institucional e acesso a documentos sigilosos ligados à Justiça e ao Ministério Público.

No centro da estratégia investigada estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como integrante da cúpula do CV, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. Mesmo preso há 19 anos em uma unidade de segurança máxima, Marcinho VP seguiria exercendo influência sobre as decisões internas da facção.

A investigação, divulgada pelo jornal O Globo, detalha como o CV teria expandido sua atuação para além do tráfico de drogas e armas, explorando atividades da economia formal e buscando estabelecer conexões em redes de poder. A PF aponta que o objetivo é ampliar a influência e garantir a manutenção de suas atividades.

Expansão Territorial e Influência Política do CV

Segundo a PF, Doca comanda um grupo armado com mais de 300 anotações criminais e é protegido em diversas comunidades. Sob sua liderança, o CV teria assumido o controle de mais de 40 favelas do Rio nos últimos três anos. Já Marcinho VP, mesmo encarcerado, utilizaria intermediários, como advogados e familiares, para direcionar decisões sobre a ocupação de territórios, hierarquia interna e distribuição de recursos da chamada “caixinha” do CV, um sistema financeiro clandestino da organização.

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A facção tem ampliado sua atuação, explorando negócios como provedores de internet e operações com criptomoedas. Paralelamente, o CV busca estabelecer relações em redes de poder, indicando uma estratégia de diversificação e busca por legitimidade ou proteção.

Mensagens Revelam Interesse em Aliciamento Político

Um ponto crucial da investigação é uma troca de mensagens de 16 de janeiro de 2025, onde o traficante Carlos Costa Neves, o Gardenal, envia a Doca uma foto do deputado Roosevelt Barreto Barcelos, o Val Ceasa (PRD), no Palácio Guanabara. Na imagem, o parlamentar aparece após uma reunião sobre o programa Segurança Presente, ao lado do então governador Cláudio Castro e de dois vereadores.

Gardenal escreveu: “Te falei, Val é o contato dele”. A resposta de Doca foi: “É, mano, esse cara tem que vir para nós”. Para a PF, essa conversa demonstra o interesse da facção em aliciar agentes políticos para obter proteção institucional e influenciar decisões públicas. A aproximação com políticos poderia servir como porta-vozes indiretos, ajudando a evitar interferências estatais em áreas controladas pelo CV.

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A PF investiga se a menção a Val Ceasa como “contato” se refere a uma suposta aliança com Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP), facção rival do CV. O deputado Val Ceasa negou irregularidades e qualquer vínculo com o crime organizado, afirmando que sua imagem pode ser citada por terceiros, mas isso não configura relação pessoal ou compromisso.

Acesso Indevido a Decisões Judiciais e Documentos Sigilosos

A investigação da PF também aponta que membros do CV tiveram acesso indevido a decisões judiciais e documentos do Ministério Público do Rio ainda em fase de elaboração. Esses materiais foram encontrados após análise de um backup atribuído ao policial militar Luciano da Costa Ramos Junior, que era cedido ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

No armazenamento em nuvem do policial, foram localizadas imagens de um texto sobre uma denúncia contra Peixão e uma decisão sobre medidas cautelares contra familiares de Marcinho VP e Doca. O documento continha endereços para mandados de busca e apreensão, o que, para a PF, indica que o policial repassava conteúdos “altamente sensíveis e de natureza sigilosa” aos traficantes.

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A PF cita ainda situações onde traficantes teriam combinado apreensões e trocado informações com policiais militares e civis. Em uma conversa interceptada, um policial identificado como “Contato Draco” agradece a um criminoso por “Informação perfeita e precisa”. Essas relações, segundo a PF, funcionariam por meio de “benefício mútuo”, com troca de informações ou pagamento de propina em troca de dados sobre investigações.

Posicionamentos dos Citados

O deputado Val Ceasa reiterou que não possui qualquer relação com organizações criminosas e que sua atuação pública é transparente. O ex-governador Cláudio Castro também negou qualquer ligação, afirmando que sua gestão foi marcada pelo enfrentamento ao CV e ao crime organizado. A defesa de Marcinho VP declarou que todas as comunicações são monitoradas e que o uso do nome dele em investigações é parte de uma estratégia política.

Os vereadores Ulisses Marins (União) e Jair de Mendes (PRD) também negaram envolvimento com atividades ilícitas, ressaltando que sua atuação pública envolve contato com diversas autoridades e lideranças, o que não configura vínculo com o crime.

Fonte: O Globo

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