PL usa estratégia de pressão contra o governo interino do Rio para influenciar STF
O Partido Liberal (PL) intensifica a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) para que a corte defina o mais rápido possível o formato da eleição para o governo do Rio de Janeiro. A legenda não aceita a permanência do desembargador Ricardo Couto no cargo de governador interino por tempo indeterminado e utiliza a sua posição como argumento para pressionar os ministros.
A nova tática do PL é questionar a legitimidade de Ricardo Couto para implementar mudanças significativas no estado, uma vez que ele ocupa a função de forma provisória. Quanto mais o STF adiar a decisão, pior o cenário se torna para os planos do partido, que almeja emplacar o deputado Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa, no mandato-tampão.
Enquanto o impasse jurídico se arrasta, o desembargador Ricardo Couto tem aprofundado mudanças em cargos estratégicos do governo, dando sinais de que sua permanência pode ser mais longa do que o previsto. Interlocutores do magistrado avaliam que sua saída não é iminente e não descartam que ele permaneça no cargo até o final do ano.
Estratégias em constante mudança do PL
O PL tem alterado sua estratégia para o governo do Rio em diversas ocasiões. Inicialmente, o partido defendia eleições indiretas na Assembleia Legislativa, onde possui a maior bancada. Com a adesão do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) à bandeira da eleição direta, a legenda mudou de rota e passou a defender o voto popular.
Embora a vitória em uma eleição indireta na Alerj fosse considerada certa, o partido reconhece que a disputa em uma eleição direta é mais acirrada. No entanto, o PL aposta no tempo de televisão para promover o nome de Douglas Ruas e fortalecer sua candidatura para enfrentar Eduardo Paes em outubro.
Tempo joga contra os planos do PL
Caciques do PL admitem que o tempo é um fator crucial contra os interesses do partido. Se o STF decidir por eleições indiretas, cada dia de atraso na definição significa menos tempo para Douglas Ruas ganhar projeção no governo. Por outro lado, uma decisão a favor da eleição direta levanta a questão da logística e dos custos para organizar duas votações em um curto período.
Nesse cenário, o STF poderia buscar uma solução alternativa, como manter apenas a eleição de outubro e prolongar a permanência de Ricardo Couto, o que desfavoreceria a estratégia do PL. O partido insiste que Douglas Ruas deveria estar no governo, por ter se tornado o primeiro na linha sucessória após assumir a presidência da Assembleia Legislativa.
Tentativas de Douglas Ruas e pressão sobre o STF
Douglas Ruas chegou a pleitear formalmente ao STF o comando do estado, mas seu pedido foi rejeitado pelo ministro Cristiano Zanin, que manteve Ricardo Couto no cargo. Inicialmente, Ruas buscou se posicionar como uma alternativa para a reorganização institucional do Rio, mas o STF demonstrou desconfiança em relação a essa estratégia.
Atualmente, o deputado tem focado em pressionar o tribunal. “O nosso pedido é para que o Supremo Tribunal Federal tome a decisão o quanto antes”, afirmou Ruas nesta quinta-feira (30), na Alerj, reforçando a urgência do partido em resolver o impasse.
Fonte: G1
